Exposições no Valongo: um Universo de Possibilidades

por Felipe Abreu — Editor da OLD

Festivais de fotografia são ótimos momentos de troca, de construção de contatos e de buscar o crescimento da sua produção visual. Um dos pontos importantes neste tipo de evento é observar o que está sendo feito, que tipos de ideias estão sendo discutidas e quais as consequências destes temas na sua produção pessoal.

Homenagem a Roy de Carava

Já falamos da Arena Zum por aqui, que será o ponto central das discussões no Valongo, mas também acho muito importante pontuar as possibilidades de aprendizado nas exposições que serão apresentadas durante a passagem do festival pelo porto de Santos.

Horacio Fernández, curador espanhol com um potente trabalho com fotografia e fotolivros, assina a curadoria das mostras e traz uma seleção complexa de trabalhos. Ao todo são 11 mostras oficiais, além das Paralelas, que contam com trabalhos de 6 países diferentes e 11 autores.

Roberto Huarcaya

A seleção de exposições reflete a preocupação do festival de expandir seu foco para além da fotografia, buscando construir um panorama amplo sobre a criação de narrativas visuais na contemporaneidade. As mostras homenageiam grandes artistas como Roy de Carava, Bill Morrison, George Love e Claudia Andujar e trazem nomes de destaque entre uma geração cada vez mais consolidada de artistas como Júlio Bittencourt, Cássio Vasconcellos e Alejandro Chaskielberg. Além destes, a produção latina está muito bem representada — como de costume nos festivais organizados por Iatã Cannabrava — com mostras de Juan Valbuena, Federico Rios Escobar e Roberto Huarcaya.

Juan Valbuena

As mostras irão ocupar quatro espaços distintos dentro do Valongo, criando polos de apresentação e a possibilidade de se transitar facilmente entre as mostras. As onze exposições estarão divididas entre a Oficina Cultural Pagu, a Casa da Frontaria Azulejada, os Arcos do Valongo e o Centro de Pesquisa das Narrativas Visuais do Valongo.

Alejandro Chaskielberg

Visitar essas exposições não é só uma chance de ver grandes trabalhos de perto, mas também de poder examinar sua lógica construtiva, suas opções de montagem, sequência e curadoria, destrinchar cada pedacinho de grandes criações visuais para tirar o aprendizado máximo de cada uma das mostras apresentadas. Além das mostras, vale destacar também a conversa de Horacio Fernández com Oscar Muñoz na Arena Zum. Mais uma chance de espremer até a última gota de conhecimento.