Narrativas visuais expandidas: uma entrevista com Federico Rios Escobar.

por Felipe Abreu e Luis Kita

Federico Rios Escobar / Sara de Santis

Federico é um fotodocumentarista colombiano, com trabalhos regularmente publicados em grandes canais de mídia, como o NY Times, Times e El País. Sua produção tem um foco especial na construção de narrativas visuais de grande alcance, tendo a web como sua principal ferramenta de disseminação. Federico está no Valongo para três ações distintas: a exposição Transputamierda, o workshop Fotografar, Compartilhar, Interagir, Narrativas Visuais para a Internet e uma participação entre os trailers da Arena Zum. Conversamos com o Federico para saber um pouco mais sobre a sua participação no festival.

Nos conte um pouco sobre o que você pretende apresentar no seu trailer da Arena Zum.

Vou apresentar o meu trabalho TRANSPUTAMIERDA e como ele é feito e no que ele resulta. TRANSPUTAMIERDA é um projeto condicionado à existência de outros projetos que o alimentem, porque eu não viajo para fazer imagens para ele, eu viajo para outros projetos e acabo produzindo imagens que entram nesta série.

Nos conte um pouco sobre a exposição TRANSPUTAMIERDA.

TRANSPUTAMIERDA é uma criação que termina por falar da viagem com dificuldades, sem estrutura. Não é uma viagem de primeira classe, é uma viagem com os pés na lama, em trilhas e condições precárias. No princípio TRANSPUTAMIERDA parecia uma aventura maravilhosa, uma expedição de Indiana Jones, mas o projeto é na verdade uma crítica ao governo colombiano, de como ele tem abandonado essas populações que vivem isoladas e sofrem com esta falta completa de estrutura, em que ninguém chega ao povoado e eles não conseguem sair.

Você acredita que uma fotografia deve contar uma história?

Não, creio que não. Acredito que a fotografia tem uma relação muito direta com a música e com a literatura enquanto fenômeno narrativo, dessa forma se pode construir uma narrativa de forma direta, com uma história ou de forma indireta. Uma foto pode ser um estímulo para que você sinta algo, mas não precisa ser necessariamente uma história, a fotografia tem essa liberdade.