“Inovação não é PHD, é colaboração.”

Porque a alta taxa de doutores por habitantes não significa necessariamente bons resultados em termos de Inovação. E porque a colaboração esteve tão em evidência nas discussões do Festival Internacional de Diseño 2015 em Buenos Aires.

Festival Internacional de Disẽno, Buenos Aires — 2015

Histórias sobre educação, inovação e também países árabes, cuja altas taxas de doutores/habitantes não refletem bons resultados em inovação foram assunto e chamaram a atenção da platéia presente na abertura do Festival Internacional de Disẽno em Buenos Aires. Contadas por referências em desenvolvimento de cidades, um professor em especial, Fabio Quetlas, da Universidade de Buenos Aires, me fez questionar e aprofundar pra saber porque a colaboração é o principal problema no desenvolvimentos das metrópoles modernas.

Novamente ela, por acaso mas nem tanto, assunto também do post passado “Ei só pra dizer que preciso da sua ajuda”).

Estamos superestimulados

“Se não existe no google, não existe no mundo.” Quem nunca ouviu isso?
Hoje, estamos envolvidos com as novas formas de usar a tecnologia e temos acesso a quase tudo de uma forma muito fácil, rápida e prática. Os avanços do design, da engenharia e da comunicação tornaram o “impossível” de tempos atrás em celulares, aplicativos, gadgets, wearables.

Esse positivismo em torno da evolução da tecnologia é como lenha na fogueira de departamentos de pesquisa e desenvolvimentos das mais diversas empresas do mundo. É combustível, sendo implorado por novos consumidores, para tornar cada vez mais confortável as tarefas do dia a dia.
A inovação já tem por definitivo sinônimo de sobrevivência. E quem duvida?

A Inovação tem um poder muito importante no desenvolvimento de empresas, corporações, mas também nas cidades, nos bairros, na administração pública. Seu conceito amplo e complexo tornam seu entendimento e domínio uma das tarefas mais difíceis, um quebra cabeça. Entender suas metodologias e causas é um trabalho bem custoso e demorado e por isso que nas discussões das grandes metrópoles que permeiam decisões para o futuro dos espaços coletivos, da urbanização e da cidadaa pergunta persiste: Como incentivar e desenvolver a inovação dentro das cidades?

Segredo das mães da praça de Maio.

Diversidade, colaboração e senso de humor

Fabio Quetlas, que durante sua palestra traduziu alguns estudos científicos e conhecimentos já difundidos, nos questiona ao lembrar de histórias que às vezes esquecemos. Abre aspas, ponto pra comunicação novamente e como ela é importante pra perceber o que passa na nossa frente e muitas vezes não é notada.

Um país “monocultural”, termo referente a um país de uma só cultura, sem diversidade de etnias, pensamentos, idades, religiões é um país com baixos “resultados de inovação.” Resultado mensurado por ele como número de patentes, aplicações de patentes, as taxas de utilização da propriedade intelectual, pagamento, exportações de produtos de alta tecnologia.

Segundo também Quetlas, os países árabes, com altas taxas de doutores/habitantes, uma quantidade relativa de pessoas no último passo dos estudos acadêmicos em comparação a população geral, não alcançam resultados significativos e relevantes em termos de Inovação. Comparado a outros países o resultado é muito reduzido perto do esforço de manterem esses números altos. E alguns fatores culturais responsáveis por esse desempenho demonstram principalmente a falta de colaboração entre esses povos, a troca de informações, a criação colaborativa, o uso e a construção compartilhada, fatores citados por Quetlas como fundamental para o desenvolvimento de nossas cidades.

Países que não investem na formação dos empregos do futuro e na atualização deste ensino também ficam para trás. Não falando em termos de academia ou de técnica, mas na construção de competências e habilidades comportamentais, como os relacionados ao trabalho colaborativo, empreendedorismo e a criatividade por exemplo. Ou o senso de humor, que nesses dias dinâmicos de trabalho são importantes para continuar com a cabeça erguida, equilíbrio emocional e seguindo em frente. (Uma brincadeira feita durante a palestra, mas nem tão inverdade assim).

Distrito de Diseño “Barracas” — no CMD em Buenos Aires

Resta dizer que no Festival Internacional de Diseño 2015 em Buenos Aires, fui apresentado ao Centro Metropolitano de Diseño, um centro com capacitação, aceleradora de startups, laboratórios de P&D e outros serviços para profissionais criativos localizado dentro de um “Distrito de Diseño”. Localizado em um bairro tradicional da cidade, Barracas, que foi transformado em um cluster para potencializar e exportar o design local. Marco de uma política pública de longo prazo do governo local e uma estratégia usada no Brasil de parques científicos, incubadoras, aceleradoras, organizações de fomento ao compartilhamento.

Pés na mudança

O mais provocativo deste texto é questionar que atitudes óbvias como estudar, se formar e ter um doutorado, não significam para a cidade ou estado que financiam e incentivam essas atividades, que existe um retorno aplicável ou prático com resultados claros de inovação e desenvolvimento.

E que existem outros fatores como a colaboração e a comunicação que são importantes para a construção de organizações e das cidades em que vamos viver no futuro.

É preciso querer mudar, é preciso questionar.

Obrigado especial aos artistas que vivenciaram esse aprendizado e percebem como a colaboração faz a diferença.

Obrigado.