Como você define o seu estilo?
Pra qualquer criança gorda, a questão não é escolha, mas o que serve. Sempre foi assim. Enquanto você entrava na loja, passeando pelas “roupas de velha” ou por milagre achando um vestido que deveria ser solto, mas que em você até que serviu. E você cresce, e continua na mentalidade de passear pela mesma área, olhando as mesmas roupas e comprando o que serve, porque a chance de ir em outra loja e achar alguma coisa… é extremamente pequena. E você não desenvolve um… estilo. O que eu quero dizer aqui, não é a questão de ser estilosa ou não. Mas não tem a oportunidade de vestir o que quer, de se expressar através das roupas.
Se você me perguntar como eu defino o meu estilo, vou ser sincera e dizer que não sei. Com 23 anos posso afirmar que não me visto do jeito que eu quero e muito menos do jeito que eu gostaria de me apresentar e me expressar. E isso não é simplesmente pelo fato de eu gostar de usar roupas diferentes ou alternativas (eu gosto, mas tenta ser gorda alternativa), mas porque não consigo me ver nas roupas que eu vejo sendo vendidas nas araras plus size. Depois que ocorreu o boom na moda plus size brasileira, mais e mais ativistas e fashionistas começaram a aparecer nas redes sociais. E isso é ótimo. É ótimo se sentir representada, com a primeira modelo tamanho 24UK (52/54) que foi contratada por uma grande agência de modelos, ou com as blogueiras e ativistas brasileiras plus size. Mas sabe? Eu não sou representada como uma mulher gorda que não tem poder aquisitivo para comprar uma saia de R$200 reais feita por uma marca plus size conhecida. E isso machuca. Machuca o fato que para "mulheres normais", as araras de suas roupas ocupam uns 80% de um andar de uma loja fast fashion, enquanto as minhas ocupam uma quina.