Não culpe o verão pelas suas noites mal dormidas.

A culpa não é da Summer. Ontem eu vi 500 dias com ela, de novo. O filme inteiro você sofre com o protagonista e enxerga Summer como a personificação do diabo. Que tipo de pessoa consegue fazer tanta crueldade com o garoto?

A resposta é “ele mesmo!”. Esse filme fala sobre a ilusão do amor, aquilo que é vendido pra nós na pré-adolescência por meio filmes baratos e musicas grudentas. Quando Tom olha pra Summer ele não enxerga ela e sim a ideia dela, o que ele sempre quis numa garota.

Porém o filme faz questão de deixar na sua cara seu ideal. Quando o amigo de Tom, Paul vai falar sobre o amor ele diz os dois pontos do filme inteiro: “acho que dei sorte” e “ela é melhor que a garota dos meus sonhos, ela é real”.

Sorte. Durante todo o filme, Tom fala de destino e amor como se fossem intrínsecos quando, na verdade, são indiferentes um ao outro pois segundo Summer, nos primeiros minutos,o amor não existe e muito menos o destino.

Garota dos meus sonhos. Não se é falado sobre o assunto em nenhum momento e mesmo assim o filme é conhecido como “um filme sobre frindzone”. Isso acontece porque confundimos a pessoa amada com o que você ama nela. São coisas completamente diferentes e perigosas se confundidas pois, como acontece com Tom, acabamos nos prendendo a ideia da perfeição, do sonho e esquecemos que vivemos a realidade.

A obra, pra mim, é um ensaio sobre a idealização do amor e a efemeridade das nossas relações de forma que fica claro quando paramos pra pensar que depois do verão vem o outono.

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