“Todos os livros do mundo estão esperando quem os leia” de Renato Alessandro do Santos
Venho protelado pra escrever esse texto porque os parágrafos, grandes, me assustam. E me sinto mais confortável entre o aconchego enuviado das estrofes. Assim como grandes parágrafos, grandes livros também me assustam. Encontrar aquela estória condensada em páginas e mais páginas é um desafio físico e mental. Assim como o primeiro passo de uma maratona, a primeira página de um livro é, certamente, a mais pesada.
Apesar das adversidades, sou teimoso e lá me vou abrir outro maço de páginas. Dessa vez, escolhi Chimamanda, leitura boa pra qualquer homem. A peleja foi Americanah, cheio de camadas e capítulos dignos de umedecer o canto interno das pálpebras.
Mas fui forçado a pausar a minha provação. Agora indignado pergunta-se, como eu me perguntei, “como que alguém como você tem a audácia de interromper alguém como Chimamanda?”. Bem, caro leitor, descobri algo na leitura que ainda não entendi na vida.
No meio da minha epopeia, surgiu o doutor Renato, meu querido amigo, e seu livro maravilhoso, o qual tenho autografado. Um livro de resenhas, despretensioso, leve como um bom dia da senhora que mora ao lado. Então deixei de canto o grande desafio e embarquei no frugal livro amigo. Dessa forma, aprendo gradualmente a esquecer de pelejas ora ou outra.
Livros como o de meu amigo são feito tardes em Itapuã e necessários para viver um grande amor à literatura. Afinal, não são só batalhas épicas que guerreiros batalham. Não são só amores desvairados que trovadores amam. Não são só tragédias homéricas que atores atuam. São fundamentais livros livres e leves que te alcem voo.
