Carta para o coração


Cá estou eu novamente às voltas com um coração gravemente ferido, agonizando e suplicando pela própria vida no meu colo. Cá estou eu mais uma vez escrevendo sobre mim e sobre minha difícil relação com o amor. Mas eu estive lá…

Estive lá entregando meu coração a quem mal se entregava parcialmente. Estive lá dizendo sim pra quem dizia talvez. Estive lá girando em torno de quem só girava em torno do próprio eixo. Estive lá. Disponível pra quem esteve ocupado.

E estou aqui. Agora, de novo. Recolhendo cacos. Cauterizando ferimentos. Contendo hemorragias.

Dar um tempo não foi solução pra ele. Estou sozinho há mais de um ano e meio e tive algumas chances e dei outras. E o fim veio e veio várias vezes antes mesmo do começo. Muito culpa minha, por que lidar comigo não é nada fácil e eu reconheço isso, ah como reconheço. Sei bem o que é carregar as cicatrizes de ser eu.

Partirei. Novamente. Torcendo e cuidando desse velho e doente coração. Não é aposentadoria ainda pra ele. Mas ele precisa de licença. Ele nunca vai se aposentar, é incurável essa disponibilidade desse tonto (risos)! Os velhos nunca mudam né? Essas manias deles!

Vá em paz coração. Descanse e não se preocupe. O cérebro vai cuidar de absolutamente tudo até você voltar.

Com carinho, eu
Show your support

Clapping shows how much you appreciated Daniel Lima’s story.