Mas você só fala de amor?


Eu sei: eu ando meio chato e de mal com a solterisse. Mas eu sempre fui assim, nunca gostei de não ter um mozão. Mas eu pulava de uma relação pra outra antes e isso não era a coisa mais saudável que eu fazia. Depois da última rasteira, decidi parar. Dar um descanso pro coração e ficar um tempo sozinho. No fundo, no fundo eu sempre duvidei que ficaria muito tempo sozinho. Eu sempre fui de ter alguém e obviamente, logo estaria acompanhado de novo. E não é que deu certo?

Não posso reclamar desses (quase) 20 meses sozinho. Conheci muita gente, superei muitos preconceitos, fui a bares e baladas como nunca antes e isso foi muito bom! Como comecei a malhar, meu corpo mudou e comecei ter uma atenção dos homens que nunca tive, eles pediram eu mostrei, mostrei até sem pedir, mostrei até demais. Quase me sufoquei com minha nova auto estima e meu novo ego. Nunca fiz tanto sexo como nesse hiato do coração.

Mas não foi tudo flores por que eu conheci uns caras que cheguei a suspirar, cheguei e me envolver, ensaiar uma paixão e eles se foram. Normal, né? Não dá pra ficar totalmente indiferente aos sentimentos. Pelo menos não pra mim.

Quase 20 meses depois, comecei a deixar o coração, recuperado dar seus primeiros passos e retomar o lugar que era dele na minha vida: o lugar principal. Sou desse tipo que se o coração está bem, então todo o resto está! Ainda meio fraco, ele tropeçou algumas vezes, perdeu a prática, sabe? Mas está se saindo bem em se desviar de possíveis balas.

Nesse tempo, eu tive certeza que não nasci pra bares, baladas, dezenas de amigos e vida noturna. Aquele não era meu lugar e não deu pra ouvir o “ploc” de quando a tampinha se encaixa, sabe?

E percebendo isso, voltei a sentir falta da vida de antes: poucos amigos, almoço de domingo, séries de baixo do edredom, cafuné, amor, brigas, reconciliações… eu amava aquilo e nem sabia o valor que tinha. E eu sinto muita falta. E não me venha com essa de “você só precisa de você mesmo pra ser feliz” — eu já sei esse discurso de cor e não é disso que estou falando! O buraco aqui é mais em baixo, papo pra outro dia.

Ando carente sim e não sinto que sou fraco ou desesperado por causa disso. Só sinto saudade de ser amado e ser quem eu era, sentir o que eu sentia… volta, amor!

[continua]