Há algo de belo no “erro”
Permita-me fracassar. Tenho convivido com o fracasso desde sempre, então, permita-me fracassar. Tudo bem não ser o correto para você, mas vai por mim, tem um lado belo nisso de ser “errado”. Logo eu que não sou lá uma pessoa tão ousada, tão proativa, tão fora da caixa e tão criativa como o mundo exige de mim e que parei de me preocupar tanto com o futuro. Na verdade, prefiro a incerteza e as surpresas que o caminho oferece. Sabe, quero estar no agora e isso tem me destrinchado uma infinidade de trajetos que estou degustando.
Acabei percebendo algo muito simples: a história do herói era do herói e que a graça está em construir uma nova história com um bocado de originalidade. Na verdade, eu sempre gostei dos anti-heróis. Seres que são errados demais para serem considerados protagonistas pelo bom senso. Eu gosto do erro, dele surge uma oportunidade grotesca de se criar um bom enredo. De vez em quando, cabe uma narrativa um pouco torta para chegar ao fim que desejamos. Acredito que a minha seja dessas, por mais que eu não conheça o fim.
Estive pensando, talvez eu faça a diferença no mundo. Talvez. Esse negócio de grandes atos não é para todos. Já estou feliz conseguindo fazer a diferença para mim. Vou no meu ritmo, no meu tempo e com meus sentimentos. Ah, meus sentimentos! Eles são muito importantes para que eu deixe eles de lado. Se não for assim, a gente nada, nada, nada, mas não sai do lugar. Você bem sabe: o que te atravessa é o que te move. Acho que provavelmente entenda isso melhor como propósito. Tudo bem, só resolvi dar proporções diferentes a ele.
A verdade é que eu gostaria que esse discurso floreado e motivante que ouvimos tirasse a máscara de uma teologia que te leva sem olhar pro lado, porque pode ser que não seja para mim. E, aqui, tudo bem não ser! A beleza disso tudo é que podemos assumir diferentes formas. Só não vá rápido demais, aproveite a paisagem. Lembre-se que coração também precisa de tempo para respirar.
E é difícil romper com isso. Mas uma hora ou outra a gente tem que se perguntar: que merda é essa que me ensinaram? E aí, meu amigo, se for caso de discórdia, vai ser um grande desafio se livrar disso tudo que te enfiaram goela abaixo. Difícil, mas algo que deveria ser natural. E quanta gente rompe, se liberta, se livra dessa coisa de certo e errado e descobre que existe um mundo entre esses opostos que se equivalem.
Então, façamos um trato: vamos parar de condenar o fracasso, a insegurança, o medo, o tempo que precisamos para respirar… Eles são necessários à vida. Fazem parte da nossa construção, do nosso amadurecimento. Eles hoje não me impedem de ir adiante, de assumir desafios. Pelo contrário, fazem aquele contrapeso necessário para atingir o equilíbrio. E a vida até tem sido mais leve! Por isso, deixa que eu vou assim mesmo, errada, que essa é a minha melhor forma!