Nós não somos, nós estamos.

Esses dias eu estava navegando pelo Facebook e me deparei com uma “popup” pedindo para atualizar informações sobre mim. Logo, com a pergunta “quem é você?” então parei para analisar. Quem sou eu? O que eu sou? A pergunta martelava e a resposta não emergia. Qualquer tentativa de afirmação do meu Eu era falha. Eu não poderia dizer que sou publicitário, pois teria de afirmar que eternamente o seria. Cheguei a conclusão de que sou indizível e qualquer tentativa de me definir me assassinaria no tempo. A natureza humana é instável. Após uma noite de sono, não sou mais o mesmo do dia anterior.

Você provavelmente conhece alguém que já disse “eu sou feliz”, mas será que é mesmo? Afirmar que se é feliz é dizer que você foi feliz desde o momento em que nasceu e será até o momento de sua morte. Afirma também nunca ter sentido tristeza, ódio, angústia ou qualquer sentimento negativo. Essa ideia pode soar um pouco pessimista, mas observe por outro ângulo, a felicidade é um estado, nós não somos felizes, nós estamos felizes. Desta forma temos a oportunidade de viver intensamente os momentos, afinal, ele não durará para sempre. Acreditar em felicidade duradoura é de certa forma ingenuidade e ilusão.

Desta forma, só posso concluir que, nós não somos nada, apenas estamos algo. O máximo que posso ser é indizível e qualquer outra definição de mim soa-me absurda.