i was very high when i wrote it
Vomito e mijo se acumulava nas arestas do barco, marinheiros tapeavam moscas no ar enquanto papeavam com halito mefítico que se sobre saia por dentes ausentes. As peles torradas vertiam suor na tentativa de enxugar a miséria de seus rostos de labuta. Na sacada de um andar superior, um velho mirava o horizonte com as mãos apoiadas ao parapeito para compensar a insegurança das próprias pernas. Caucasiano, calvo e grisalho. suas pálpebras pareciam pesadas bolsas de carne, e seus trajes de capitão já não eram tão preenchidos. observei por um tempo suas delicadezas até desaparecer de novo na cabine.
“Me intriga essa gente de mais idade” disse eu, “Tão próximos ao fim e carregados de tranquilidade. Em mim, nenhuma convicção espiritual seria resistente a medos e dores, principalmente nestas condições em que ossos gastos, derme fina e cérebro debilitado nos tornam tão suscetíveis às mazelas da existência. Sou fraco, quando se trata do inevitável”.
Bordim, reclinava-se em uma cadeira, de pernas estendidas e cruzadas. custou a abrir os olhos. “não penso muito neles, nem mesmo em mim quando chegar a estas alturas” bocejou. “me firmo nos pensamentos sobre ti, naqueles que trazem bons agouros. Na paixão plena que não se afina ou desbota com o tempo. Naquilo pelo que sou navegante, pelo amor que carrego no peito”.
“Não existe tal coisa, se abrires meu peito haverá músculos que exprimem sangue por artérias, haverá ossos, estruturas, e nada feito paixão, amor, emoção. Não estão aqui e nem devem. O corpo não tem espaço para trivialidades. te fode ai”
