Um sonho, um pássaro e algumas reflexões

É engraçado como as vezes um sonho nos faz refletir e repensar.

Pássaro meramente ilustrativo.

Esta noite tive um desses sonhos que não parecem fazer muito sentido (como a maioria deles, envolvendo contextos e pessoas completamente abstratos), mas que me fez acordar pensando bastante.

Não convém entrar em muitos detalhes do sonho, até porque nos detalhes é que os sonhos fazem pouco sentido. Entretanto, o contexto geral era: eu tinha achado um pássaro lindo e feito amizade com ele.

O pássaro era super dócil e adorava carinho, parecia até um gato, porém com asas e uma linda plumagem. Estava super feliz com a nova companhia e com a troca de carinhos até que alguém chegou e apontou que pássaros tem que ser livres e não devem viver presos, dizendo isso a pessoa simplesmente abriu a janela e atirou o pássaro pela janela. E ele se foi pra não mais voltar.

Imaginem minha perplexidade!

Não sei se nos sonhos as coisas tomam proporções maiores do que na realidade, mas tive uma reação extremamente explosiva. Gritava e xingava a pessoa que havia “jogado meu pássaro fora”, discutia com todos ao redor que isso não devia ter acontecido, que o pássaro era meu e ninguém tinha direito de interferir. Além da raiva, chorava e soluçava inconformado com a situação. As pessoas testemunhavam minha reação, porém ninguém parecia entender. “Era só um pássaro”, alguns diziam.

O tempo em sonhos sempre é distorcido, mas após o que pareceu uma eternidade, comecei a me acalmar após ouvir alguém comentar algo como: “pra que esse drama todo? Aquele pássaro nunca foi seu. Você devia estar feliz pelos momentos que teve com ele.”

Acordei pensativo, relembrando o sonho. Me lembrei também do texto recente do Duduvier que (apesar de ser uma propaganda descarada do novo filme deles) fala de um amor, mas não é uma dessas declarações de casais apaixonados, é um texto de um amor em que o relacionamento já acabou.

Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que no final de "How I Met Your Mother". Mais que no começo de "Up". Até hoje, não tem um lugar que eu vá em que alguém não diga, em algum momento: cadê ela? Parece que, pra sempre, ela vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse tido um filho, eu penso. Levaria pra sempre ela comigo.
Essa semana, pela primeira vez, vi o filme que a gente fez juntos —não por acaso uma história de amor. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado num filme —e em tantos vídeos, músicas e crônicas. Não falta nada.

Será que conseguimos pensar assim sobre as coisas? Ser feliz pelo que tivemos, mesmo depois de não termos mais? Será que conseguirei?

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