ANSIEDADE, o monstro

Vamos ver se escrevendo ela passa um pouquinho (leia, quem sabe ajuda a sua).
“A vontade que dá, é de me rasgar no meio”

Ao longo da minha vida a ansiedade sempre esteve presente, desde pequeno eu já experimentava esse sentimento e sabia das reações corporais que ela provocava. Lembro como ontem das vésperas de apresentações ou festas da escola, da vontade de acelerar o relógio para que chegasse o momento logo, das acordadas no meio da madrugada com medo de perder a hora. A ansiedade até ai não era um sentimento ruim, senti-la era bom, formigava a barriga, acelerava o coração, borbulhava a imaginação, arrancava sorrisos antecipados.

Mas tinha também aquela ansiedade de quando eu fazia algo errado e sabia que iria apanhar, ou levar uma bela bronca da minha mãe, ela doía no peito, e incomodava bem mais que a bronca ou o tapa que recebia, aqueles momentos anteriores incomodavam tanto, eu suava frio, ouvia o tum tum tum do coração sem nem colocar a mão no peito, a vontade era de fugir ou de atrasar o relógio para que o momento nunca chegasse.

Cresci um pouco e a ansiedade de encontrar aquela paquera chega de uma maneira bem gostosa, fazia com que eu me arrumasse, passasse um perfume e ficasse horas na frente do espelho ensaiando jeitos de cumprimentar ou falar com a paixonite. E momentos antes o coração fazia turu turu, os olhos brilhavam, a respiração ofegava, e a coragem saía correndo dando lugar a covardia do coração.

Veio depois a ansiedades das provas de vestibular, não teve uma prova que fiz tendo uma noite anterior bem dormida (insônia), levantava varias vezes para beber água e olhar o relógio da cozinha pois o meu poderia estar errado. De levar 8, 9, 10 canetas no dia da prova, pois a ansiedade dizia que as 9 poderiam parar e eu ficaria sem fazer a prova. Descobri que conseguia controlar a danada da ansiedade comendo, devo ter eliminado vários candidatos somente com o barulho que fazia abrindo salgadinhos, chocolates, balas e refrigerantes durante a prova, e dava certo, conseguia fazer as provas muito bem com essa tática.

Logo depois, as ansiedades de criança voltam assim que entro na faculdade, aquela emoção dos primeiros dias, das experiencias antes inimagináveis , das primeiras festas, das amizades novas. A ansiedade volta como sentimento bom, como motivação e como preparação para ciclos e experiências novas. Até ai a ansiedade é nossa parceira, meio aventureira.

Você também é ansioso?
“porquê tudo em volta parece um devaneio, o mundo gira devagar”

Pois é, mas chega um momento que a ansiedade vira doença, que ela machuca, que ela sufoca, que ela tira o sono, faz chorar. Que ela não precisa de um motivo para despertar. E quando ela chega, a vontade que dá, é de me rasgar no meio, porquê tudo em volta parece um devaneio, o mundo gira devagar. As mãos trêmulas é o sinal que ela veio para devastar. O suor que pinga é do cansaço da luta que internamente batalhamos para não deixar ela nos matar. A ansiedade não nos motiva como antes, mas nos impede de continuar.

A ansiedade é um grande mostro que não temos a menor chance de derrota-los. Vão te indicar músicas, meditação, chás, banhos, e até remédios, o que não faltará é sugestões de curas de amigos que não te a menor ideia do a gente está sentindo. Mas aos poucos vamos domando a fera, vamos nos acostumando com a dor, quem sabe a curamos com um amor? Só o tempo nos dirá.

Com muita ansiedade;

Eu, Lourenço Teixeira