Hoje é meu 5º aniversário de maternidade. Quando minha filha nasceu, nasceu em mim uma mãe.

Mas assim como nasce um bebê que vai crescendo, aprendendo, evoluindo, também nasceu assim a maternidade em mim.

Foram 5 anos de luta. 5 anos me sentindo culpada por ser uma mãe solteira. 5 anos chorando escondida no banheiro das reuniões escolares vendo aqueles casais juntos preocupados em saber sobre o desenvolvimento dos filhos e eu ali, sozinha. Me perguntei diversas vezes se eu tinha feito o certo, como se as decisões tivessem sido só minha responsabilidade.

Enfrentei depressão pós parto e fui negligenciada pelos médicos. Senti que minha identidade foi roubada. Fui excluída de diversos grupos e inúmeros ambientes.

Cheguei a me sentir inútil para o feminismo porque com a minha filha eu “estava empatando” o caminho das mulheres livres. Senti culpa pela minha maternidade compulsória e mais culpa ainda quando pensei “Bem, não era o que eu esperava”

Diversas vezes pensei “minha nossa não vejo a hora dela crescer”. Nunca soube muito bem o que fazer, como fazer, como ser perfeita.

Como eu seria um exemplo de mãe, exemplo de mulher, enquanto era uma “louca do cabelo colorido que se acha uma diva pop” (vocês não têm noção de QUANTAS vezes escutei isso de pessoas diferentes, algumas que eu jamais imaginaria).

Já ouvi “deixou de ser consumidor pra ser fornecedor” como se minha filha fosse um pedaço de carne à venda. Já ouvi que eu não deveria colocar roupas tão bonitinhas pra não chamar a atenção de “homens mal intencionados” (podem dar o nome de pedófilos, criminosos mesmo, parem de passar pano e usar eufemismos).

Já fui julgada por olhares na rua quando ela fez birra. Já saí correndo atrás do shopping, cheia de mochilas gritando VEM AQUIIIIII e ela achando que eu estava brincando.

Já capotei muito nos primeiros passos, mas hoje sei correr uma maratona de mãe.

Hoje sou muito mais esclarecida. Sou muito mais feliz.

Hoje eu luto contra a romantização do trabalho sobrecarregado, mas eu não nego que exibo com orgulho meu esforço e meu trabalho bem feito (e acho que ninguém deve ter vergonha disso)

Hoje eu enfrento o preconceito com uma criança que é atendida na APAE por um atraso na fala (e recebo vários “ah não é nada tira ela de lá” como se a APAE fosse algum tipo de vergonha). Hoje eu sei que eu tenho todo o direito e razão de virar bicho quando falam/fazem algo que eu não gosto.

Hoje eu sei que posso ensinar o que é certo ou errado de acordo com a situação e com o coração e não com o que a sociedade espera.

Hoje eu ensino que ela é linda do jeito que é, que ela pode ser o que ela quiser seja uma princesa cor-de-rosa como ela fala, como uma super heroína. Eu sei que ela pode lotar a cara de maquiagem e também pode rolar na lama. E por que não rolar na lama de maquiagem?

Hoje eu me recuso ser representada e fazer parte de um feminismo excludente de mães e crianças, pois se minha filha não cabe, não adianta me chamar que eu não vou.

Hoje eu tenho uma filha que canta canções infantis, que fala inglês, que sabe mais italiano que eu, mas que está aprendendo a responder com “não dá close errado!”.

Hoje eu ensino que não importa quem ela ame, desde que ame e seja amada de volta. Hoje eu ensino que aqueles que não convivem com ela, não merecem seu amor.

Hoje eu ensino o que eu aprendi no meio de tantas feministas maravilhosas que são mães e outras que não são, mas que são totalmente compreensivas com a nossa luta.

Hoje eu sei que não sou egoísta e nem errada em não deixar ela de lado, em fazer dela minha prioridade, mas também de ter minha vida própria.

Hoje eu sei que eu sou uma diva pop de cabelo estiloso e tatuagem e não sou menos mãe por isso (aliás, meu plano quando eu era adolescente era ser “a mãe que todo coleguinha quer ter” e eu tenho orgulho em dizer que sou)

Hoje eu sei que somos pessoas diferentes, mas com um amor uma pela outra que não nos deixa separar.

Hoje é meu aniversário de mãe. E assim será até o fim da minha vida. E hoje finalmente eu posso dizer que o meu melhor projeto foi ser mãe.

Um salve a todas as mães que me influenciaram mesmo sem saber e algumas sabendo.

Um abraço àquelas que estão passando pelas dificuldades. O que eu posso dizer é que todo esforço vale a pena.

Alina Silva, 31 anos, empreendedora e mãe de uma menina de 5 anos

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