Há dois meses, o bater das panelas que mais pareciam trombetas do apocalipse anunciou o inferno que se avizinhava. Vazado o áudio do grampo da conversa entre Lula e Dilma, o Brasil dançou a dança da ilusão. Passo a passo, judiciário e Globo comandaram uma enorme oficina de percussão, quando o país entoou a trilha sonora do golpe (ah Naná... daí do céu dos artistas, nos perdoe!). 
E você, onde estava naquele dia? Quem sentiu vontade de abraçar quando a esperança, não em um governo, mas na humanidade, falhou? 
O mesmo pergunto sobre o fatídico domingo de terror, quando descobrimos quem nos representava na Câmara. Quem te apoiou? Quem não te deixou desabar?

Estes tempos de cólera são também de revoluções pessoais. Quem sair o mesmo deste turbilhão, nem mais apaixonado, nem decepcionado com alguém, não viveu. Quem não transbordou de orgulho por ver guerrilheiros emergirem de homens calados, perdeu a chance de saber que sensação indescritível é a felicidade pelo outro. 
Também, como suportar uma relação morna, obediente, baseada na hierarquia, quando há um país explodindo? O amor precisa ser revolucionário, precisa ser de igual para igual.

Falo de amor pelo outro, não necessariamente o romântico. Amor de ideias que se encontram, mesmo no silêncio. Do santo que bate. Espero que você saiba perto de quem pode senti-lo. E ao lado de quem estará no dia fatídico no Senado. E lamente se não puder ouvir de uma boca específica o desabafo derradeiro, começo de uma nova luta. 
Nestes tempos de ódio jorrando, quem te traz paz também te revoluciona. Procure saber.