Adorei os acréscimos, só tenho uma discordância: “ Ele está morando em local inseguro?
Krishna Montezuma
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Sim, eu saquei o ponto, só não sei — ignorância mesmo — se a festa de elite tocava Daleste ou toca TH… Essas boates da barra, gávea, são conrado, etc, tocam “funknejo”, sertanejo universitário, “pop funk”, etc. É até uma crítica de quem é cria que a galera rica e escrota ouve o funk elite e acha que aquilo é favela, quando não sabe o que é ouvir o contra-cultura mesmo. Agora, a galera universitária ~humanas~ good vibes desconstruída (tem mais um milhão de arquétipos pra somar aqui), a que vai num arco do teles da vida, essa gosta de divulgar funk mais perifa mesmo não morando em perifa. Daí por mais que tenha os pontos negativos, como você já colocou, acho que tem alguns positivos:

  • Como o centro da cidade conseguiu, após tanto tempo, voltar a unificar regiões (pasme — em contramão ao projeto de cidade gentrificada que o PMDB opera), como é possível hoje ter festas produzidas por gente da perifa no centro urbano, unindo gente da baixada, centro, zs, zo, zn… (ex: trap in, funk in, etc)
  • Como o espaço universitário, após políticas de cotas e influência social de protestos e movimentos sociais, se abriu pras diferenças e pra ouvir — minimamente — o favelado, o pobre, o preto (desculpe usar só “o”, esse generalismo aqui não é só pro gênero masculino)
  • Como foi possível evidenciar quem faz o funk, o rap, o trap, o black e convida-los aos centros urbanos (como Mc Carol tocando em casa grande do centro da cidade, o que há anos atrás não se imaginava)

Se for pra essa galera que vive em voga no ambiente da juventude libertária que se auto-afirma esquerda mas via de regra é mais uma juventude liberal inclusiva que mantém uma crise de identidade com a política tradicional e busca alternativa micropolíticas, como coletivos e pequenos movimentos artísticos… Se for pra eles, eu acho que talvez seja bom sempre ponderar e pôr questões nessa relação, porque falamos de um todo que é cheio de correntes ideológicas/artisticas diversas e nem sempre estão no mesmo ambiente se pautando pelas mesmas regras.

Tem a pessoa que vai na batekoo pra falar de representatividade, tem a que vai pra dançar e esquecer o dia tenso na sua quebrada e ainda tem o boy da zona sul que vai querer se sentir malandrão durante algum momento mas sem os amigos de infância que hoje vão pras boates da barra e com quem ele não se identifica mais depois que entrou pra ciências sociais na faculdade. Sei lá, tipo isso.