Erros

Os dias vão passando e fico cada vez mais longe daquilo que fui.

Não te percas por lá!

Quando tudo o que quis foi perder-me. Noutras vezes, procurei por mim nas ruas de Londres e no grande lago da Holanda. Encontrei-me, curvada às intempéries, mas viva.

Hoje, nesta península perdida nos invernos e invadida nos verões, não sei onde procurar-me. Continuo como que perdida dentro de mim mesma e à procura do que será.

Hoje, oiço a tua voz de longe. Falas-me ao ouvido e dizes que sou o que já não sou. Sou muito mais e serei. E se amavas o que fui, os restos de mim que encontraste num dia de inverno, sabe que os meus restos são outros, agora… Ainda me sento à beira-mar, como a esposa que espera o pescador ao início da manhã. Ele não virá. Partiu há meses e ficou em alto mar. E é assim que te espero, a saber que não voltas e que não te procuro.

A viúva que te chorou já não te pertence, fez o luto e procura-se nas setes vagas que o mar lhe traz, na espuma que se enrola na areia, nas conchas que o mar lhe oferece…

Luv, M.

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