Eu queria não me preocupar.

Hoje percebi que faz 15 anos desde a primeira vez que me senti ansiosa. 15 anos! Eu era uma menina de 12 anos quando comecei a sentir dores de estômago que me faziam querer morrer/ir para casa a qualquer custo. Demorei alguns meses para entender que era minha ansiedade me comendo por dentro (literalmente) por causa de uma lição que eu não fazia nunca e que a professora cobrava sempre. 12 anos e com gastrite nervosa. Fiz a lição, me resolvi com a escola, me curei da gastrite e nunca mais senti nada.

Até 2011. Em 2011 entrei na faculdade e, sempre que tinha uma festa ou quando eu tinha um encontro, eu passava mal. SEMPRE. Depois os enjoos, choros, falta de ar e molezas deram lugar para a amidalite — mas é claro que o mal-estar acompanhava as vezes. Passei um ano mal, até que a minha irmã resolveu por mim que eu iria num psiquiatra, porque não é normal sentir tudo isso tantas vezes por nervoso. Não é normal sentir uma ansiedade tão forte. Segundo diagnóstico: 21 anos e com transtorno de ansiedade generalizada. Comecei a tomar remédio.

Tomo remédio até hoje porque preciso, porque não consigo ficar sem ele e ficar bem, eu preciso dele para me ajudar a levantar da cama e andar até a pia para escovar os dentes, que seja. Hoje eu acordei pensando que há 15 anos eu sou ansiosa e isso define minha vida… eu me planejo para tudo, eu quero estar pronta para tudo. Eu me preocupo com coisas que vão acontecer daqui 20 anos, eu questiono decisões que não precisam ser tomadas agora, eu quero ter tudo pronto para qualquer situação, para qualquer coisa.

Mas eu tenho muito medo. Medo do que eu não conheço, do que eu não posso (e do que eu não consigo) controlar, do que eu não vejo, do que eu não sei. Eu tenho medo de fazer errado, de fazer torto, de fazer diferente e não acertar nunca. Fico insegura por não saber como vai ser, por não ter certeza de como responder e como reagir quando as coisas acontecerem. Eu tenho pavor de começar a viver de verdade, porque eu não sei fazer isso.

Eu queria saber.