Como um dia promissor virou um terreno de areia movediça
Primeiramente, queria pedir desculpas pelos erros que encontrarão neste texto. Eu poderia escrever, revisar, mudar algumas coisas… Só não tenho energia.
O dia de hoje começou com uma mentira. Daquelas que facilmente saem da minha boca se o objetivo é me beneficiar. Sou uma pessoa terrível.
O dia de hoje começou com uma mentira, mas tentei transformar meu dia em uma desculpa para ela. “Já que mentiu, por que não aproveitar para fazer algo bom para si?”
E assim eu embarco na cansativa viagem das tentativas de me organizar, que tenho feito e refeito praticamente todos os dias nos últimos anos.
Vamos ler.
Dez minutos. Vinte minutos. Trinta minutos. Olha o relógio. “Caramba, até que estou conseguindo focar e ler um pouco”.
E então, como se eu tivesse acabo de contar minha fraqueza ao meu maior inimigo, começamos a fase 1:
“Já que leu trinta minutos, pega ali seu celular, dá uma olhada. Afinal é importante equilibrar estudo e repouso”. Pega o celular. Passam-se quarenta minutos de nada. Vamos retomar a leitura?
Dez minutos. Vinte minutos. Barriga começa a roncar. Trinta minutos. Memórias emergem sem qualquer convite. E lá se foi minha concentração.
Junto com ela, um mosquitinho começa a zunir baixo em meu ouvido (embora aumente progressivamente o volume de seu falar): “Mas você não ia transformar esse dia em algo bom? O que vai justificar sua mentira agora?”
Assim, adentramos a fase da depreciação.
Enquanto me diminuo de algumas formas, almoço, tentando me organizar para que depois do almoço eu volte a tentar me organizar.
Eu volto. Vamos ao Round 2:
Dez minutos. Quinze minutos. Olha o relógio. Vinte minutos. Olha o celular. Abre as redes sociais. Passam-se quarenta minutos.
Dez minutos. Não entendi nada do que eu li. “Nossa, mas você é burra”. Começo do zero. Pego no sono. Recomeço do zero. Um parágrafo. Dois parágrafos. “Quem você está tentando enganar? Você não está prestando atenção em nada.”
E eu não estou. Estou pensando numa cena insignificante de alguns anos atrás.
Chegamos a fase da culpa, combinada com depreciação.
Culpa. Culpa. Culpa. Culpa.
Depreciação. Depreciação. Depreciação. Depreciação.Depreciação.
Ansiedade. Ansiedade. “Não consigo fazer nada”. Ansiedade. Ansiedade. “Não vou conseguir fazer nada”. Ansiedade.
Olho o relógio. O dia ainda não acabou! Vamos tentar de novo?
Primeiro parágrafo. Não entendi nada. Uma frase. Duas frases.
Frustração. Frustração. Frustração. Frustração. Frustração.
Ansiedade. Ansiedade. “Não consigo fazer nada”. Ansiedade. Ansiedade. “Não vou conseguir fazer nada”. Ansiedade.
Culpa. Depreciação. Ansiedade. Frustração. Ansiedade.
Sabotagem.
