Garganta

Noite de segunda-feira, dez de abril.

O trânsito desliza no pretume do asfalto lúgubre. Motores efervescentes zunem em polifonia frenética, como uma sinfonia indefinível e inordenável regida pelo maestro caos.

As luzes dos postes retilíneos que se alinham e se estendem até o final da avenida, transpassam o acrílico e dilatam a imagem. Contrastam com o infinito celeste e vociferam os sentidos de quem vê.

Na rua fria das calçadas mornas, casebres, à esquerda do meio-fio , trazem mensagens, à tinta, de anônimos poetas. Vociferam o imaginário e permitem adquirir memória de um outro tempo, de uma outra leitura, das lentes nas córneas de quem viu um vazio estrutural nas paredes sóbrias. O pixo grita!

Pessoas caminham amiúde, como universos expandindo em seus próprios textos. Levitação e observação, universos calmos como lagos e universos implodindo em movimento frenético mecanizado, buracos negros sugando a si pela disfunção da rotina. Ode a reinvenção do cotidiano.

Impressões que voam por entrelinhas particulares e efêmeros da cidade efêmera, que se estende no largo abraço do imediatismo no ritmo acelerado da modernidade.

Atrasado pros beijos que me acalmam, continuo a esperar o ônibus.

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