Meu último textão. Juro. Pelo menos por enquanto =)

Não sou cientista político, economista, jornalista, historiador, ou nada parecido, muito menos escritor. Esse meu perfil no Medium, inclusive, tem uns textos perdidos sobre assuntos aleatórios e esquisitos, nada sobre política. Sou apenas um cidadão com uma formação muito distantes destas, mas que se interessa o mínimo necessário por política e que faz de tudo para que o nosso país tome o melhor rumo possível (ou o menos pior). Tudo o que você irá ler aqui reflete apenas uma opinião que vale tanto quanto todas as outras. Continue o texto apenas se quiser. Ninguém é obrigado a ler, muito menos a concordar, com textão algum.

É muito difícil ser ouvido ou levado a sério quando você sempre defendeu a esquerda. Os que te conhecem não exergam nenhuma diferença entre sua defesa à Dilma em 2016, 2014 e 2010, e ao Lula em 2006 e 2002, e os seus discursos correntes. É difícil acreditarem que o seu discurso atual, nessa situação atípica em que nos encontramos, está realmente isento de partidarismo. Que você realmente tem enxergado os defeitos e crimes que o partido que você sempre defendeu cometeu, e, a menos que demonstrassem reais mudanças, que não votaria mais nele se a situação fosse outra. E não só isso, que você enxerga que o verdadeiro culpado pela situação em que nos encontramos é a própria esquerda, que você sempre apoiou. É difícil você ser levado a sério quando você veste vermelho desde sempre, e agora está vestindo as cores da nossa bandeira em nome de algo muito maior. Não, isso não é mal-caratismo. Essa é a necessidade da mudança falando mais alto. E espero que não seja tarde.

Eu poderia escrever aqui um bocado sobre as diferenças nos currículos dos dois candidatos. Poderia sem dificuldades demonstrar quem está tecnicamente mais preparado para governar um país no caos em que estamos vivendo. Poderia discutir superficialmente, dentro das minhas limitações, as diferenças de planos de governo (que, cá pra nós, ambos são ruins, mas tem um muito pior do que outro). Mas eu sei que nesse momento, não adiantaria muita coisa entrar nesses detalhes, pois parece que a razão simplesmente deixou de existir, dando espaço apenas para torcidas fanáticas, zombação, cegueira voluntária ou involuntária, orgulho e ódio.

Eu não vou apelar para esse lado.

Devemos concordar que o PT decepcionou muita gente. O partido que surgiu com a promessa de renovar a política brasileira. Um partido trabalhista que surgiu verdadeiramente das bases da sociedade, que prometia finalmente dar voz ao povo e fazer diferente quanto ao maior mal de toda a nossa história: a corrupção. Infelizmente, depois de muito tempo e muita confusão, finalmente enxerguei que o trem descarrilhou. Escândalos imensos de corrupção, decisões políticas e econômicas erradas, e um pensamento muito perigoso de perpetuação no poder por tempo indeterminado. Claro que nem todos os membros do partido tem relação com isso. Mas, infelizmente, sabemos que alguns membros do alto clero têm suas participações. O engraçado é que foi necessário uma situação de crise gigantesca, a ameaça da chegada de um monstro ao poder, para me fazer enxergar tudo isso. Sim, tudo isso é culpa do PT. Aliás, para não ser tão leviano, eu ampliaria essa culpa a toda a esquerda brasileira, pois aos meus olhos de leigo, ela simplesmente deixou de verdadeiramente conversar com as grandes massas, com quem realmente precisa, ficando presa em um pedestal acadêmico que só um cataclisma, talvez, a tire de lá, enquanto que o mundo desmorona aqui em baixo. E, por fazer parte de tudo isso, peço sinceras desculpas a todos. Sim, não sou político, mas sempre defendi ferrenhamente a esquerda (dentro das minhas limitações) e me considero co-responsável. Agora só resta os grandões fazerem o mesmo.

Sinceramente, não percebi quando o trem começou a descarrilhar. Não faço parte de uma galera que jura que entraremos em um regime totalitátrio em que gays, negros e índios serão colocados em um paredão e serão todos fuzilados. Também creio que a maior parte do seu eleitorado está fazendo um voto de protesto pois, com razão, não quer mais o PT no poder. Creio que a maior parte do seu eleitorado não é machista, racista, não apoia a tortura, regimes ditatoriais, nem são homofóbicos e não apoiam a violência contra a oposição. Mas quando foi que tudo isso, que são bandeiras claramente levantadas pelo candidato do PSL desde sempre, passou a ser ignorado? Quando foi que as pessoas simplesmente passaram a minimizar frases como “Eu sou favorável à tortura”, “O grande erro da ditadura foi torturar, não matar”, “O cara tem que ser arrebentado pra abrir o bico”, “O pessoal pobre não controla sua prole”, “Tenho 5 filhos. 4 são homens. Na quinta eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”, “Vagabunda!”, “No meu tempo era muito raro achar um gay, uma bicha, na rua, um veadinho”, “O filho começa a ficar assim meio gayzinho? Dá um couro nele que ele melhor o comportamento”, “Se eu vir 2 homens na rua se beijando eu vou bater”, “Eu seria incapaz de amar um filho homossexual”, “Eu tenho imunidade pra falar que sou homofóbico sim, com muito orgulho!”, “Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou quilombola”, “as minorias de adequam ou simplesmente desaparecem”, “as minorias devem se curvar às maiorias”, “Não aceito resultado diferente do que minha eleição”. Quando foi que uma única pessoa capaz de proferir publicamente, de forma que essas ideias sejam espalhadas para a população, passou a ser chamada de “mito”? Quando foi que a empatia acabou? Quando foi que o sofrimento das minorias passou a ser mimimi ou coitadismo (essa é nova). Quando foi que a derrota de um partido ou ideologia problemática passou a valer a pena “relevar tudo o que esse louco fala, porque pelo menos não é o PT que vai governar nos próximos 4 anos”? Antes que venham falar de fake news, todas estas frases estão documentadas em áudio e video e não existe contexto diferente que minimize o impacto de tudo isso.

Eu realmente não acredito que entraremos em uma ditadura, como eu disse acima, onde gays, trans, quilombolas, índios, etc, não vão ter direito algum (apesar de que boa parte deles estão SIM severamente ameaçados). Posso estar até errado, mas particularmente não acredito nisso. Porém, não deveríamos fechar os olhos a tudo isso que ele representa, muito menos bater palmas. Não deveríamos dizer que qualquer um pode falar o absurdo que quiser, que até presidente pode ser. Que o choro dos oprimidos é mimimi. Que aqueles que se sentem aberrações pelas estúpidas normas sociais, que se mutilam, que se MATAM, estão de “coitadismo”. Temos que dizer que, não importa o quão gênio você seja, não importa o seu plano de governo, essas suas ideias são criminosas e reprováveis neste país. Temos que dizer “NÃO, ISSO NÃO ESTÁ CERTO, E PENSAMENTOS COMO ESSES NÃO CABEM MAIS AQUI!”.

Se ligue: o mundo inteiro está emitindo alertas. O MUNDO INTEIRO. Não é possível que só o brasileiro saiba das coisas. Imprensa, música, cinema, liberais, estadistas, direitistas, esquerdistas, acadêmicos, pessoas comuns… (Antes que você fale que eles não podem opinar em questões internas, lembre-se que vocês sempre falaram de Cuba e da Venezuela, mesmo sem precisar morar lá — e sim, acho a situação da Venezuela deplorável). Antes tínhamos opções para todos os gostos. Mas, infelizmente, sobraram duas péssimas opções. Mas ai você vai ter que escolher. E eu diria que não é uma escolha entre dois partidos. É uma escolha entre a empatia com os que mais precisam e a truculência de quem representa o que existe de mais reprovável no ser humano. Eu vou vestir a camisa da humanidade. Me desculpem mais uma vez, mas terei que votar neles de novo. Meu voto será #Haddad13, #HaddadPresidente.

Finalmente, eu gostaria de mandar um recado final para você que já decidiu o seu voto nele ou está ainda na fronteira de decisão: você pode até não concordar com nada disso que ele fala, pode até concordar com o plano de governo dele (???), ou está votando para finalmente tirar os comunistas petistas do poder. Mas lembre-se que tem gente que concorda, e estes estão passando a ter voz e FORÇA. Estas eleições vão passar, mas a luta não irá cessar. E você? Ficará no lado de quem? Da brutalidade de quem já tem muito poder e perdeu toda a humanidade dentro de si, ou de quem precisa de mais poder para sobreviver e viver dignamente?

Aos meus amigos e conhecidos (e não-conhecidos) que fazem parte das minorias, saibam que vocês não estão sozinhos. Eu, homem, branco, hétero, classe média, de exatas (hahahaha), perfeitamente encaixado em um grupo privilegiado, estou com vocês. E, acreditem, existem muitos outros. Um abraço fraterno a todos!

P.S.: Abaixo, um dos videos mais impactantes que vi em toda a eleição desse ano. Não preciso falar nada. Apenas assistam.