Temos que pegá-los!

Olá =)

Durante uma curta fase da minha vida, entre os 11 e os 13 anos, aproximadamente, vivi uma paixão arrebatadora que me fez perder a vontade de brincar com meus amigos, de jogar bola ou realizar qualquer outro tipo de interação humana fora da escola (onde eu TINHA que interagir). Não, não era mulher, obviamente (eu era novinho, galera, dá um desconto). Eu era viciado em um monte de bichinhos que gostavam de meter porrada uns nos outros. Não, NÃO era briga de galo, pelo amor de Deus!

Minha grande paixão se resumia em uma única palavra: Pokémon! Além da série de TV que eu me desesperava por não poder assistir sempre, pois passava em um horário que eu ainda estava largando do colégio, eu jogava aquele velho ROM no emulador de Game Boy no meu antigo AMD K6 333 MHz com 32 GB de RAM. Pokémon Blue e meu velho amigo fiel Squirtle (depois Wartortle e depois BLASTOOOOOOOOOISE) me afastaram do mundo real. Eu fazia duas coisas na vida: estudava e jogava Pokémon (até minha mãe me ejetar da cadeira do computador ou meu irmão mais novo me implorar por um espaço para usar a máquina). Acreditem em mim: o vício era tanto que uma certa vez, ao voltar da casa de praia de uns tios meus, que fica a aproximadamente 1 hora e meia da casa onde eu morava, ao raciocinar que teríamos que pegar um tempão de estrada e sentindo-me cansado como eu me sentia e louco para chegar em casa (e jogar meu Pokémão), percebi que me veio um comando cerebral para emitir verbalmente uma frase que me faria passar por louco em frente a toda a família: “VAMOS USAR FLY (HM 02) PARA CHEGARMOS MAIS RÁPIDO!”. O raciocínio foi bem simples: Eu estava cansado e tínhamos um looongo caminho pela frente de carro, então tínhamos um problema. Como um engenheiro nato, eu tinha a soluçao: Meu Pidgey irá nos levar para casa em 1 minuto! Genial, não? Claro que um freio social me impediu de falar uma loucura dessas.

Bom, estou devagando muito. Falei sobre minha fixação em Pokémon para contar uma das minhas visões noturnas que aconteceu nesta fase de puro fanatismo.

Estava eu dormindo no quarto dividido com meu irmão mais novo. Não sei como se chama em cada canto deste país, mas na época dormíamos em uma beliche (duas camas, uma acima da outra, ligadas por uma escada), como chamamos aqui em Recife. Por motivos de segurança, eu sempre dormi embaixo. Meus pais temiam que eu me jogasse da cama de cima em uma das minha crises e quebrasse alguma perna (ou pescoço, sei lá, vai que…). No meio da noite, abro os olhos e direciono minha atenção para o meio do quarto. O que vi no chão do quarto deixou-me maravilhado: vi uma espécie de Arena Pokémon onde um Caterpie brigava com um Pikachu. Eu não podia acreditar no que estava diante dos meus olhos. Sim, era real. MUITO real.

“MERMÃO OLHA ISSO!!!”. Obviamente, exclamei para acordar meu irmão na tentativa de que ele presenciasse aquela cena comigo. “OLHA ISSO! SÉRIO! UM PIKACHU VEI!”. Não lembro muito bem o que meu irmão disse. Eu tenho a impressão que ele, já sabendo das minhas loucuras, me mandou deixá-lo dormir. Algo assim. Uma pena. Ele não viu o cacete comendo no meio do quarto, em uma batalha épica entre um Caterpie e um Pikachu (tá, não imagino uma luta épica entre um Caterpie e um Pikachu, MAS ERAM DOIS POKÉMON BRIGANDO NO MEIO DO QUARTO, então era épico).

Por motivos óbvios, tentei pegá-los. Não com uma Pokébola, com as mãos mesmo. Porém, como sempre acontece nessas situações, ao tentar interagir e não conseguir tocar em nada, meu cérebro entra em choque lógico e toda aquela fantasia simplesmente some. E eu volto ao normal.

Pois é. A frustração foi grande. Não consegui capturar meus primeiros Pokémon. Sim, fui dormir triste. Queria que tivesse sido real. Infelizmente, treinar Pokémon só no Game Boy. Pior, só no emulador =(

É isso. Espero que vocês não tenham achado que perderam seus preciosos tempos nesse texto e tenham gostado o mínimo possível. Tenham todos uma boa noite e bons sonhos. Vou dormir agora.

#sqn