A falta do amor no discurso de amor

Há uma certa mediocridade na falta de empatia. O preconceito disfarçado de opinião. A falta de sentimento em certos discursos. A indisposição em se elevar espiritualmente.

Ser um pouco mais simpático não dói. Amar não vai tirar sua honra. Sua dignidade.

A hipocrisia tá nos milhares de pessoas que se lacrimejam com aqueles vídeos short story de amor/superação/altruísmo.

Sabe aquele videozinho? Aquele que não toma muito tempo do seu dia? Que você se emociona por alguns minutos, compartilha e segue com a vida sem nem refletir no que você acabou de assistir?

Esses mesmos, tenho certeza que você já assistiu algum. Já vi vários deles serem compartilhados por conhecidos no facebook. Pelo macho escroto que assedia mulher na rua. Pela moça que abusa de suas funcionárias. Sempre com aquele discursinho varrido de amor ao próximo.

E isso me cansa. A falta de amor me enlouquece, me tira a razão. Quando eu/você menos espera, estou furiosa com alguém tentando me acalmar e alguém dizendo: calma, o mundo é assim, as pessoas são assim.

Até quando?

Talvez o problema esteja comigo, por carregar o sentimento do mundo. Talvez eu deveria me colocar no meu lugar, não é mesmo?

Meus pais têm dinheiro, então o plausível é que eu assuma meu lugar de opressora, não é mesmo?

Não sou negra, sou amarela. Então pra quê apoiar o BlackLivesMatter?

Não estudei em escola pública. Por que eu deveria apoiar as ocupações?

Sou cis/hétero. Não tenho nada a ver com a luta por diversidade. Ela não me beneficia. Pra quê me incomodar?

Quando confrontei minha mãe sobre uma atitude homofóbica, meu pai gritou que eu era petista e que quando eu entrasse para a universidade eu ia entender que o mundo não assim.

Pirei. O QUE TINHA A VER UMA COISA COM A OUTRA?

O cenário do Brasil fica triste quando atitudes de amor ao próximo viram posições políticas esquerdistas.

Sabe aquele discursinho pseudocristão que de amor de Cristo não tem nada? Encontro ele todo dia. Ele me enfurece. Me dá nojo ver tanta gente utilizando religião pra ferir os direitos de outras pessoas.

Se você um dia se interessou pela bíblia (como eu) e decidiu ler os quatro evangelhos, você deve ter encontrado:

O cara que quebrou os padrões do tempo dele. Que foi crucificado pelo próprio povo. Que sabia que seguir as regrinhas da religiosidade não chegava nem perto de fé. Que amou em primeiro e segundo lugar. Que salvou uma mulher do apedrejamento. Que se sentou com pobres, criminosos, prostitutas. Que ofereceu o outro lado da face. Que foi cuspido, torturado, ridicularizado. E que rodou a baiana no templo quando viu a galera fazendo a igreja de comércio.

Se fosse hoje, ele estaria levando bomba de efeito moral. Lavando os olhos com leite por causa de spray de pimenta. Ia tá fazendo textão no facebook, e ia chamar ele de sermão do Face.

Eu larguei a bandeira cristã tem um bom tempo, justamente porque o amor que eu tinha pelas pessoas não existia dentro da igreja. Dentro da igreja existe preconceito, ódio, apatia, elitização, opressão, e tudo mais que Jesus veio para quebrar. 
Os que praguejam aqueles que citam o nome de Deus em vão são os que mais envergonham o legado que Jesus deixou.
Cansei de ver “crente” condenando o próximo. Cansei de ver “crente” misturando suas crenças com verdades universais. Cansei de ver “crente” enganando “crente”. Cansei do ambiente lotado de fofoca e intriga. E percebi que “crente” não tá fugindo do mundo, como se diz fugir. Ele só tá reproduzindo todo paradigma em que cresceu sem ficar com peso na consciência.

O pior é ver eles carregando essa bandeira, pagando de “crente”, sem colocar nenhum esforço pra sair da caixinha em que se enfiaram.

Se tem uma coisa que não existe em você, igreja brasileira, é amor.

E para o resto da população que não se encontra nessa categoria:

A mesquinhez do coração corrói a alma.

Desculpem-me pelo textão de desabafo.

Alguém se dispõe a incrementar meu repúdio, apontar meu erros ou só deixar aqui sua opinião?