Retrospectiva TV — 2015

Felizes para Sempre? — Uma série que fez sucesso pelas imagens de Paolla Oliveira. Só. História promissora, porém condução infeliz e desperdício de atores como Adriana Esteves e Cássia Kiss. Para se esquecer.

Sete Vidas — A produção de Lícia Manzo conquistou uma legião de fãs falando sobre diversos temas com muita naturalidade e realismo. Valeu por reunir grandes atores como Regina Duarte (em um dos seus papéis mais deliciosos, Esther), Débora Bloch, Domingos Montagner, Walderez de Barros e outros mais novos — e promissores: Jayme Matarazzo, Isabelle Drummond, Miguel Noher, Guilherme Lobo, entre outros. Uma boa novela, apesar de muito inferior a A Vida da Gente, trama anterior da autora exibida em 2011.

Amorteamo — Uma série inovadora e transgressora que trouxe ótimos atores em papéis que lhe desafiaram.

Os Experientes — Trouxe grandes atores da televisão em participações excelentes com um texto excepcional. Ótima produção.

Mr. Brau — O destaque dessa série foi Taís Araújo. Seu figurino extravagante e interpretação inspirada chamaram atenção.

Babilônia — O folhetim mais infeliz de 2015. Primeiro, por prometer muito com chamadas excepcionais do trio de protagonistas (Adriana Esteves, Camila Pitanga e Glória Pires). Segundo, por trazer um elenco de ouro que deixaria qualquer um ansioso para a estréia. No fim, foi uma grande decepção. A história foi bem conduzida até o final do segundo mês (quando Sílvio de Abreu deu seus pitacos na trama e introduziu mais agilidade). Entretanto, a partir do terceiro mês, visto à rejeição que sofreu trazendo beijo entre duas lésbicas logo no primeiro capítulo, a trama — em todos os núcleos — virou uma bola de neve intragável e inassistível. Um dos poucos destaques dessa produção foi a grande parceria entre Marcos Palmeira e Arlete Salles, especialmente ela, a única atriz que participou deste fracasso porém não manchou sua biografia; e a atuação de Adriana Esteves, que segurou a trama central nas costas. Uma novela para se esquecer, que saiu muda e calada.

Os Dez Mandamentos — Pelo pouco que vi, foi uma novela que teve seus bons momentos em diversos meses, como a época das dez pragas (apesar da barriga), e o destaque à ótima vilã Yunet (destaque para Adriana Garambone). Um elenco irregular e protagonistas infelizes impediram a história de ser totalmente tragável, e a novela contou com um fã-clube insuportável (tanto os conservadores que a assistiam, quanto os fãs da Record). Mas passou longe de ser um sucesso ao nível de Avenida Brasil.

I Love Paraisópolis — Uma produção desinteressante das 19h. Começou muito bem, com um casal protagonista bom e elenco razoável. Mas ao longo dos meses, a história foi derrapando e os autores inventaram que esquetes horrorosas e sem graça poderiam atrair ibope. Ledo engano. A trama perdeu audiência a cada mês e fechou apenas com 1 ponto a mais que a antecessora, Alto Astral (uma excelente novela, por sinal), que enfrentou horário de verão e festas. Além de desperdiçar talentos como Françoise Forton, Danton Mello e até mesmo Tatá Werneck (que fez figuração durante o folhetim inteiro) e de uma direção pavorosa com cenas que apelaram até pra realismo fantástico com direito a animação nível Disney. Um dos poucos destaques, Nicette Bruno, com uma ótima caracterização, sumiu ao longo dos meses. Caio Castro fez uma boa atuação, mas só foi bem pois Grego era um caricato canastrão, bem típico da interpretação deste ator. Frank Menezes também brilhou na pele de Juneca, mas também cansou ao longo dos meses. Já Letícia Spiller, foi feliz como a vilã Soraya Brenner, um dos poucos chamarizes da novela, apesar da sua aparência quase robótica e surreal.

Verdades Secretas — Um elenco impecável e direção primorosa fizeram Walcyr Carrasco se redimir de algumas infelicidades que ele escreveu como Sete Pecados e Amor à Vida (às 21h). O autor soube muito bem pautar temas fortes e difíceis como as drogas, a traição, incesto, prostituição, alcoolismo, assassinato sem impor nada ao público. Mauro Mendonça Filho também soube suavizar várias sequências mal escritas pelo autor. Talentos como Drica Moraes, Eva Wilma, Ana Lúcia Torre, Marieta Severo, Grazi Massafera (em sua melhor atuação e papel, de muito longe), Agatha Moreira e Reynaldo Gianecchini também engrandeceram a produção. Além das sequências finais surpreendentes e arrebatadoras. Todos foram muito felizes durante a novela e por isso o público foi conquistado de imediato. O maior sucesso de repercussão de 2015.

Além do Tempo — A melhor novela do ano. A autora se mostrou corajosa em dividir a história em duas fases tendo como pano de fundo o espiritismo. A primeira fase, excepcional e muito bem produzida, mostrou o talento de muitos atores e contou com uma direção linda de Rogério Gomes, um dos melhores diretores da emissora. Diante todo esse bom tratamento, a trama conquistou a todos e se tornou um sucesso. A segunda fase, embora mais lenta e melancólica, além de ter perdido parte do encanto, não deixou nada a dever. Uma história cheia de acontecimentos e muitas grandiosas atuações, como Irene Ravache (em seu melhor papel desde Éramos Seis), Ana Beatriz Nogueira, Alinne Moraes, Nívea Maria, Dani Barros, Letícia Persiles, Inês Peixoto, Luís Melo, Flora Diegues, Daniela Fontan e Mel Maia (formando um núcleo cômico maravilhoso e conciso nas duas fases), Juca de Oliveira, Felipe Camargo, Júlia Lemmertz, Louise Cardoso (em seu melhor personagem), Caio Paduan, Rômulo Estrela, Emílio Dantas e Paolla Oliveira, entre muitos outros neste elenco muito feliz. Além de tudo um casal protagonista que os telespectadores torcem e adoram. Uma maravilhosa trama que deixará muitas saudades ao se despedir, em 15/01/2016.

A Regra do Jogo — Esperada com muito anseio devido ao fiasco de Babilônia e por ser do mesmo autor de Avenida Brasil, o mega sucesso de 2012. Um teaser excepcional causou expectativas em todos, e a trama conta com um elenco magnífico. Após começar, mostrou núcleos paralelos irregulares e pavorosos que beiram à baixaria, alheios à uma história central merecedora de todos os aplausos. Infelizmente, a novela não é um sucesso. Veio num momento errado e no formato errado (funcionaria melhor como série). Mas o autor tem sua parcela de culpa ao desperdiçar talentos como Susana Vieira e Renata Sorrah e apostar em um humor fajuto e com pouca graça. Apesar disso, vale salientar as ótimas atuações de Giovanna Antonelli e Alexandre Nero (que instigam o público com o casal Romero e Atena), José de Abreu, Eduardo Moscovis, Tony Ramos, Carolina Dieckmann, Bárbara Paz, e Susana Vieira, que nas poucas cenas que tem, brilha em uma atuação excelente que vai do humor à doçura. A novela é definitivamente masculinizada, com vilões homens e uma trama pautada pela violência contando com a famigerada facção.

Totalmente Demais — A produção de Rosane Svartman está indo para seu terceiro mês com saldo positivo. Um texto inspirado, história consistente e elenco excelente (dos jovens aos veteranos) vem conquistando o público depois da fraquíssima e tenebrosa I Love Paraisópolis. Além de personagens humanos e fortes, e núcleos de humor verdadeiramente engraçados. Um lamento: a direção aposta nesses filtros escuros e sem vida, um verdadeiro erro, se tratando de uma novela das sete divertida e que será exibida durante um verão inteiro, estação marcada pelo calor e por muito sol. Não é cansativo sentar para assistir uma produção com essa fotografia fria e gélida? Vai o alerta aos diretores da novela.

Menção honrosa para a reta final de Alto Astral, uma novela excelente e adorável das 19h que terminou em maio, à feliz escolha da Globo para a reprise de O Rei do Gado que fez um imenso sucesso nas tardes da emissora entre janeiro e agosto, ao festival Luz Câmera 50 Anos no início do ano e às cenas da morte do Comendador em Império, última trama de grande repercussão às 21h, que se encerrou em março.

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