Pode ser.

Dorflex, Paracetamol, Calman. Um maço de cigarro malboro light do lado. Preciso de algo para acabar com os meus sentimentos. Nenhuma tarja preta, então talvez as coisas não estejam tão ruins assim.

Vou de Dorflex, minha cabeça latejando está me destruindo. O remédio desce, mas é como se tivesse ficado entalado na minha garganta. Aquele nó no estômago subiu e eu preciso começar a te falar sobre o que vai acontecer com a gente. Bebo um gole de água pra limpar a garganta que não adianta muita coisa.

Rem-rem!

Não tem mais pra onde correr, né? Já seguimos quase todas as direções, menos aquela séria que morremos de medo, que queremos evitar de todo jeito, que claramente não é a hora certa. Nunca vai ser, a gente sabe disso, e é por isso que, agora que doi, desconfio que o efeito do remédio já passou. Desculpa te dar a notícia assim, mas acabou a água salgada, o beijo nas costas, a tua malemolência. Nos afastamos, cê sabe. Não tem fitinha partida para os pedidos se realizarem que dê jeito. A única cicatriz que vai me fazer te lembrar é a do teu cachorro que mordeu a minha mão naquela noite de terça. Minhas piadas pra te conquistar vão ter que ser substituídas só mesmo por um oi-tudo-bom dito por educação. Talvez não seja tão ruim assim.

Agora, quando eu for no samba, no forró ou em um bar qualquer, não vai ter ninguém pra estragar minha noite perguntando quem é o motivo da minha embriaguez. Eu não vou mais precisar encher a cara de são braz pra te esquecer, mesmo sabendo que isso só faz te lembrar mais. Chega né? Chega de tanto laiá-laiá, de dormir abraçados, de elogios pra encher o ego. Talvez eu precise mesmo ficar sozinha. Talvez não seja tão ruim assim.

Chega! Se for pra chegar, só chega. Mas não chega de mansinho, não, que eu já tô cansada de a gente negar. Chega com gosto! Com o gosto do cigarro, da cerveja, do teu beijo. Chega com vontade! Com vontade de me abraçar, de colar teu corpo no meu, de juntar minha vida com a tua. Chega e acaba com esse meu papo barato, blefado, brochado de que eu não posso mais. Talvez a gente precise um do outro e talvez não seja tão ruim assim.

Acendo um dos cigarros. A fumaça passa fácil entre o nó. Espero tua resposta até a carteira acabar.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.