Ninguém quer ver.

Cê sabe. Cê sabe que nosso beijo tem sabor de cigarro e bebida forte, e que é difícil pra mim beber sem lembrar de você. E eu bebo todo dia. Sabe, às vezes eu deito e fico esperando sentir sua respiração apressada. Virou um hoby tentar sincronizar a minha, lenta e tranquila, com a sua, quase como quem tá correndo num sonho. Gosto quando a gente se entende. Tá lá, naquele beijo nas costas no meio da noite pra se livrar da conchinha sem ferir o ego um do outro porque a gente até gosta de ficar coladinho, mas entendemos que a cidade consegue ter noites mais quentes que nós dois.

Você sabia que eu troquei o toque do meu despertador pra você parar de acordar assustado? Cê não sabe. Cê não sabe como eu te admiro, e que quando grito zangada meias verdades é querendo tocar um pouco teu coração pra te ver reagir às mazelas da vida. Não, cê não sabe que quando eu sorrio te olhando é lembrando como somos dois idiotas que acham que ninguém pode saber que a gente se gosta. Mas sempre tá lá, os resquícios da nossa noite passada. É meu cabelo assanhado ou meu cansaço de ter passado a noite acordada me divertindo com você. Tá lá, no sorriso e nos “bom dia” na manhã seguinte que raramente distribuo por aí para estranhos. Tá nas nossas implicâncias, nos abraços involuntários e até mesmo no nosso mau humor exclusivo com o outro. A gente tá lá, sempre, só não ver quem não quer.