Sábado frio

Nunca vi o céu de SP tão escuro. Também nunca vi o céu de SP tantas vezes. Nunca estive tão leve. Também, né? Esbarrar em rostos desconhecidos, sorrir pra dentes diferentes, dançar sem ser julgada… Não é pra qualquer lugar.

Um gramado enorme e mil crianças correndo de um lado para o outro. Adultos usavam seus batedores de plástico pra brincar entre si. O barbado voltou desconfiado quando foi atrás de chopp na tenda de brindes. Relaxa, nós também estávamos esperançosos.

Lá fora, São Braz não tinha, mas o Cantinho “do padre” festejou com a gente naquele friozinho. Eles disseram uma garrafa, eu gritei do outro lado da avenida suplicando por duas. Vou beber uma inteira sozinha que é pra combinar com meu afeto pela minha vida. A moça ao meu lado gargalhou, quase me deu um abraço. Ganhei uma fã.

Da claridade, escuridão. Dos gatos pingados, multidão. Nem homem, nem mulher, apenas uma voz grave intercalando com agudos e umas belas palavras atiradas de cima do palco, só pra causar uma confusão mental em todo mundo. Pensei em você. Pensei até me distrair com a lágrima no rosto ao meu lado.

Táxi, olhos fechados, cala a boca, chegamos, sentamos, uma cerveja, por favor. Garçom, já pode trazer a conta e quatro ouro branco, perdão pela nossa depressão. Perdão eu, pediu. É culpa da música ruim, eu entendo.

O centro, mil palcos, a rua certa, o lugar errado. Massa mesmo é a vida que leva a gente pra lugares onde nem sabíamos que podíamos chegar. E ficar. E dançar, rir, tragar, beber, gargalhar.

Táxi, olhos fechados, silêncio, chegamos, não tem ingresso, não tem nada. Dor de cabeça tem, sono tem, empolgação tem em dobro, mas nem passa das 23h e eles se dispersam. Frio! Batata frita, o sanduíche fica pro café da manhã, coloquei nossa lei em prática. Pena que não vou acordar com você.