Validade.

Ao meu encontro. De roupa casual e uma paleta de cores sem vida que ia de contraste com meu colar brilhante. Dentro de mim, fúria. Dentro dele, ternura. O silêncio das ruas vazias não eram suficientes para que eu pudesse escutar os seus pensamentos.

Caminhávamos rápido buscando um lugar para mais uma sessão de interrogatórios. Uma mureta numa praça em frente a um bar de onde saiam risadas quebrando o barulho do vento. Que belo palco arranjamos, pensei. Do cachorro à bebida, da família aos admiradores nada secretos. Parecia que tínhamos tanto em comum. E ele veio, o segundo beijo, romântico, explosivo, agradável.

Me perguntou pela segunda vez se eu ainda estava brava. Sorri, mas não respondi. Ele não me entendia, eu não o entendia. Indecifráveis, mas não nos importávamos.

Ficamos mais coladinhos, eu não queria sair nunca dali. Seu cheiro, sua pele, suas mãos macias, de quem nunca lavou louça ou construiu uma casa. Queria poder voltar no tempo. Em meio a um longo beijo de despedida, o pensamento de quando isso ia acontecer de novo. Só mais um mês e nunca mais. Difícil é não pensar em estar perto todos os dias quando a data de validade está tão próxima de vencer.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Eu, tu e a Bia’s story.