Pontual.

Troquei de roupa três vezes. A primeira eu tava arrumada demais, não parecia comigo, e a última coisa que eu queria nessa vida era fantasiar minha alma em carnaval fora de época.

A segunda tava ótima, um vestidinho preto básico, não tinha como errar. Errei. Errei quando corri pra ver a mensagem no meu celular e tropecei nos meus próprios pés. Acabei enganchando o vestido num maldito prego minúsculo solto na maçaneta. Crec. Rasgou. Calma, é só uma roupa.

A mensagem era sua confirmando o horário e o bar. Digitei um emoji, apaguei. Digitei, digitei, digitei e apaguei. Joguei o celular na cama e parei em frente ao guarda roupa. Te imaginei terminando de se arrumar, cheirando a roupa e passando as mãos no cabelo enquanto eu ainda ia passar mil produtos no rosto e um batom escuro pra combinar com meu cabelo novo. Passei perfume, você não. Sei disso porque você não usa, teu cheiro é natural.

Short, uma blusa e uma sandália, sem erro. Terminei o batom bem na mesma hora da primeira buzina lá embaixo. Peguei minha bolsa e desci. Desci devagarinho imaginando quais seriam suas palavras. A mesma ladainha de sempre, né? Ia tentar contornar os problemas que tivemos, prometer mudar, prometer se esforçar, prometer parar de prometer e começar a cumprir. Que a culpa foi daquele beijo, de tanto desejo e também daquele “subeijo” de outras pessoas. Ia falar que eu estava certa, que eu tinha toda razão, sim, isso mesmo. Ia dar tantas desculpas que o pedido de desculpas ia se perder no meio.

Recebi uma mensagem sua ao fechar o portão perguntando se tinha acontecido algo, que estava preocupado com meu atraso. Bloqueei o celular e entrei no carro. As meninas dançavam animadas ouvindo um funk no volume máximo. As caixas de som batendo forte me lembravam dos nossos encontros quando meu coração se descontrolava. Tirei algumas cervejas da bolsa e distribuí.

Eu não ia mais me atrasar. Eu não ia mais te encontrar.