Renúncia

A velha missão de chegar meio bêbada e subir até o terceiro andar. Me perdoa se antes disse que eram 68 degraus quando na verdade não passa de 50. O cachorro late enquanto tento acalmá-lo. Calma, cachorrinho, calma, hoje só sou eu e mais ninguém, e é assim que vai ser por um bom tempo. Prevejo.

Qualquer coisa que visto depois das onze chamo de pijama. Visto essa qualquer coisa e começo o processo de retirar a maquiagem. O rímel não sai todo e eu me pergunto qual é a de quem inventa essas porcarias. Sempre vai ter um restinho da noite embaixo dos meus olhos.

Deito e penso sobre tudo, sobre todos, menos sobre nós dois. É que eu só precisava de algumas cervejas e não de você. É que eu desisto de tudo, de todos, de nós. De mim. É que eu tô cansada de tudo me magoar, de todos me julgarem, de nós dois não sermos nada.

Engraçado, meu travesseiro tem o cheiro dele embora você tenha sido o último a dormir aqui. Ergo meus pés na parede, que posição doida e confortável. Bem que eu podia tentar algo assim com a vida. Fecho os olhos e abro de novo rapidamente. Sei que quando eu fechar eles de vez só abrirei no dia seguinte, e aí qualquer lembrança da gente tomando cerveja no chão do posto de gasolina vai sumir. Ainda bem, ouvi um monte de coisa que não estava a fim.

Minha barriga ronca. Êta fome! Não levanto porque tudo que tem na geladeira tem que ser preparado e nem eu tô preparada para os próximos dias. Melhor. É, minha ansiedade vai me deixar obesa e a cerveja vai continuar encharcando meus neurônios. Se continuar assim, logo logo eu esqueço nós dois.

O cigarro acabou, cê sabe. Seu tempo também.

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