Travesseiros.
Uma semana acordando com um único travesseiro, já que o outro o cachorro despedaçou inteiro da última vez que você veio aqui pra dizer que não ia voltar. Achei que era só mais um dos teus drama e que logo você ia ligar dizendo que encontrou mais um filme de guerra pra gente assistir juntos.
Olhei o celular e não tinha nada além de umas mensagens de uns amigos bêbados. Passei o dedo no olho e me deparei com minhas mãos cheias de brilho da noite passada. Não tinha ressaca, amém. Caminhei tropeçando na gata mais carente do mundo e abri a geladeira. Droga, esqueci de comprar água. Peguei uma lata de cerveja que devia estar ali há uma semana e bebi metade com uma sede incontrolável. Coloquei algumas latas pra gelar e voltei pra cama. Ainda nenhuma ligação perdida.
Jogada na cama de pijamas, oito latas faziam uma fila no chão ao meu lado. Era perto de meio dia e eu já estava bêbada. Olhei as fotos da noite passada e encontrei uma minha abraçada com seu melhor amigo. Ele usava a blusa que te dei de presente e me disse coisas que hoje minha memória preferiu esconder de mim. Você não vai ligar, eu também não. Tu vem com amor, teus dramas com espinhos. Não vale a pena, meu bem.
Durmo um pouco e acordo duas horas depois incomodada com o vazio em minha cama. Eu sou tão pequena e tem tanto espaço pra você ao meu lado… Preciso preencher esse vazio. Apesar de ainda estar meio bêbada, visto um short, uma blusa e um óculos de sol e dirigo. Paro no supermercado, coloco mais cervejas no carrinho de compras e dois travesseiros.
“Que coincidência!”, ele diz ao se esbarrar comigo. Pergunta se a festa vai ser boa, eu o convido. Já passa de três da manhã, perdi o sono. A cama agora está cheia demais. Eu, ele e três travesseiros. Ele respira devagar, tranquilo. Ele parece um pouco com você.
