Sem querer a gente se encontrou.

A praia do dia anterior com as cervejas me fez ficar deitada no sofá assistindo a qualquer filme até cochilar logo nos primeiros minutos. Eles não, eles vestiram roupas limpas e enxutas e borrifaram perfume por todo o corpo esperando algo de uma noite de sexta-feira.

8h30. Oi.

Sem ressaca, de pijama, onde mais eu estaria tão cedo que não na minha cama? Fechei os olhos esperando a próxima mensagem, mas a demora entre uma e outra me fez dar pequenos cochilos.

9h12. Eu vou dar uma passada aí daqui há pouco pra gente se ver.
9h14. Ok.

Daqui há pouco é muito relativo, mas preferi te deixar à vontade, afinal eu tinha reservado o dia pra nós dois. Lavei os copos da noite passada, recolhi cerca de 30 latas de cerveja e comi duas tapiocas fininhas. A geladeira que eu prometi limpar estava lá, recheada de cerveja de 3 a 4 marcas diferentes. Peguei a primeira, bebi, fumei um cigarro, dormi.

13h30. Será que é mesmo uma boa ideia?

Abri mais uma lata de cerveja, no dente mesmo, da mesma marca pra não dar ressaca. Bebi, bebi mesmo ela esquentando, acendendo um cigarro atrás do outro, enchendo meu quarto desse cheiro insuportável. Não ia fazer diferença porque eu esperava que você viesse fumar aqui comigo. Eu te esperei, sabe?

14h30. Você vem?

Você não sabe, mas eu tinha conseguido desatar o nó que estava preso na minha garganta. Eu tinha conseguido colocar tudo pra fora logo depois que desliguei o telefone, antes que ela percebesse que eu ia desabar quando perguntou se eu estava bem. Você sabe, sabe que ela nunca pergunta se estou bem. Lembra que me disse que se eu precisasse conversar sobre ela era só falar com você?

15h. 16h. 17h. 18h. 19h.

Você não veio e eu me virei. Dei meu jeito, troquei lençóis, bebi oito cervejas e fumei 7 cigarros sozinha. Fui pro céu, ouvi Céu, observei o céu e voltei. Fui pra rua, abracei, beijei, brindei, sorri. Fui ser feliz e fui.

3h30. Eu tinha fome.

No terceiro lugar da noite chamei eles pra comer alguma coisa. A caipirinha do penúltimo lugar só me deixou mais bêbada, mas pelo menos não me fez lembrar você. Desci do carro com uma mistura de fome, sono e tontura. Ele me abraçou e atravessou a rua comigo. Ele estava lá do meu lado a noite toda, sabe?

4h. Oi.

Você me parecia bonito na calçada, mas eu não tenho certeza porque não consegui te olhar. Automaticamente, te abracei e me afastei. Você também ficou sem reação? Engraçado os encontros inesperados e constrangedores que a vida faz a gente passar, né?