O lugar das mídias sociais na contemporaneidade da vida social, política e cultural


Seria um grande risco afirmar categoricamente que estamos diante de novos tempos quando nem mesmo grandes pensadores da modernidade e pós-modernidade conseguem se entender sobre o tema. Mas é bastante perceptível na sociedade atual as transformações pelas quais o cotidiano vem passando em termos sociais, políticos, religiosos, econômicos.

Nos dias de hoje, tudo parece se comportar de maneira diferente, especialmente depois do processo de digitalização, da possibilidade do virtual diante do real. Os valores, as normas, as regras sociais parecem ter sido chacoalhadas na atualidade. Filósofos, sociólogos, psicólogos colocam na arena de debates uma transformação sobre o capital de maneira geral e, com ele, o contorno das relações sociais.

Antes disso, entretanto, é preciso retomar visões no tempo sobre a evolução social e como a técnica é parte intrínseca neste processo de desenvolvimento. Estamos entrando em um processo que podemos chamar de decomposição da modernidade, portanto, da transição do vertical para o horizontal nos meios de comunicação por intermédio da tecnologia com impacto direto na vida e nas relações das pessoas. Começa com o computador e vai com o desbravar não mais só do analógico, mas também passando pelo digital e chegando, finalmente, ao virtual.

Até recentemente, o mercado de comunicação trabalhava com o que ficou conhecido como mídias verticais – o cinema, o rádio, a televisão – ou mídias massivos, que tratavam sempre o processo a partir de um emissor para uma pluralidade de receptores. Com o avanço das mídias digitais e dos processos de virtualização, a técnica é um elemento indispensável no contexto da sociedade onde se encontra. Ela é na proporção do seu tempo e, por esta razão, precisa ser abordada com profundidade.

Por mais que os traços da modernidade ainda estejam muito presentes e sejam fortes no cotidiano das pessoas, eles estão em transformação acelerada. A partir do momento em que, com as novas tecnologias, não precisamos mais do real objeto e que a representação deixa de ser um elemento fundamental, o que entra em cena não é a tecnologia, mas a maneira como fazemos uso dela, como nos apropriamos. E esse é um aspecto fundamental a ser avaliado na atualidade.

Quando podemos simular o real sem necessariamente contar com a representação para isso, estamos construindo um novo real, o real transposto que, por consequência, modifica a percepção que temos de mundo. A tecnologia precisa ser compreendida dentro do espaço social, político, religioso e cultural em que ela se dá. Trata-se de uma fusão entre a conexão tecnológica e a social. O uso das tecnologias, portanto, tem sido encarada nas duas últimas décadas como algo essencial para a sociabilização. E, assim, a técnica torna-se o elemento de poder, apesar de não se sustentar de maneira isolada.

Este, aliás, é o desafio. A estrutura atual de poder político, social, religioso, cultural na sociedade depende, e muito, da técnica. Não custa lembrar, porém, que a informação e a comunicação sempre estiverem integradas diretamente às estruturas de poderes dominantes. A capacidade de influenciar o pensamento das pessoas muda a forma como estes indivíduos enxergam a sociedade.

Ao longo do século XX, a tecnologia ganhou características de uma força “disruptiva” e alterou sobremaneira os modelos de produção. Graças à tecnologia, à possibilidade de digitalização e simulação (virtual) de objetos e produtos, deixamos para trás o período de alto custo de produção e distribuição para custos irrisórios de produção e distribuição da informação. Inovações tecnológicas muitas vezes transformaram em um espaço muito curto de tempo todo um setor da economia, mesmo que tenham sido desenhadas e pensadas inicialmente para outros propósitos.

O economista Joseph Alois Schumpeter, conhecido por suas incursões sobre a inovação, é categórico ao avaliar este contexto e traz uma visão importante sobre um dos pontos: a busca pela alegria e felicidade do homem ou a realização da energia, da potência do oculto que há antes da ação de sua ação.

“O empresário não seria motivado, apenas pelo desejo de lucro: “antes de tudo, há o sonho e a vontade de fundar um reino particular, geralmente, embora não necessariamente, uma dinastia também…Depois há o desejo de conquistar; o impulso de lutar, para provar a si mesmo que é superior aos outros, ter sucesso, não pelos frutos que podem daí advir, mas pelo sucesso em si… Finalmente há a alegria de criar, de realizar as coisas, ou simplesmente de exercitar sua energia e engenhosidade”.

O que está em jogo, enfim, é o conjunto das mutações do capital e sociais, das mutações da visão de mundo do homem. A intersecção entre tecnologia e técnica altera a organização do relacionamento e vem provocando uma crise no modelo emissor, receptor, canal e mensagem. Tudo se mistura. O receptor não é mais passivo, ele ganha contorno também de emissor e tem a sua disposição uma infinidade de novos canais para potencializar seus relacionamentos sociais.

E há muitas dúvidas sobre o que vem pela frente. A diversidade sexual e de raças, a pluralidade religiosa, a perda, descrença, desconfiança sobre valores sociais, éticos, políticos estão mexendo com a forma como o homem se relaciona entre ele e com o mundo. Estão sendo criadas novas formas de estruturação de poder.

A racionalização do pensamento humano como forma de buscar conhecimento e compreender o mundo trouxe mudanças jamais vistas ao longo da história, mas este processo vem ocorrendo de forma muito mais rápida nos últimos anos. As novas tecnologias proporcionam e amplificam a capacidade do saber, mas de que forma estão realmente influenciando a construção e estruturação de poder na sociedade? Deixamos um sistema baseado na produção de bens materiais e passamos ao que alguns convencionaram ou nomearam como sociedade da informação (ou informacional). Teoricamente, o bem, o capital, o poder está nas mãos não mais de quem tem o controle da produção, mas de quem detém a informação, de quem controla e sabe administrar – para o bem e para o mal – dados que são utilizados como informação.

O contexto da sociedade em rede modifica sobremaneira a forma de encarar o mundo de uma maneira rápida demais. Está difícil acompanhar as quase “revoluções” criadas ao longo dos últimos anos com o avanço tecnológico em conjunto com a técnica. Isso fez um dos principais e mais renomados pensadores da atualidade questionar esta alteração de padrão, se assim podemos dizer.

Uma revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação está remodelando a base material da sociedade em ritmo acelerado. Economias por todo o mundo passaram a manter interdependência global, apresentando uma nova forma de relação entre a economia, o Estado e a sociedade em um sistema de geometria variável.

Os novos meios de comunicação de base tecnológica estão trazendo ainda mais questionamentos. Trata-se de um neocapitalismo? De uma nova mentalidade do homem que além da racionalização e controle da técnica busca incansavelmente o prazer? É a pós-modernidade ou modernidade tardia?

David Lyon, em seu livro “Pós Modernidade”, aponta que a questão pós-moderna é se as mudanças dos modos de produção e também dos regimes de regulação sociais relacionados com esses modos fortalecem os contextos de mundo colocados por Marx ou se simplesmente reproduzem situações anteriores com nomes diferentes.

Observando que a economia monetária se tornava a “comunidade real”, ele (Marx) mostrou que o mundo estava ficando dominado por um sistema de relações objetivas e impessoais que substituía as relações familiares, face a face, das sociedades tradicionais.

Afinal, qual é esta nova era em que vivemos nos dias atuais quando o privado se torna público e o público recebe algumas características do privado, quando o homem consegue transformar cenários e o capital sem necessariamente produzir para o consumo. Seria a busca coletiva pelo progresso substituída pela procura individual do conceito de felicidade, do prazer, do estar junto social? Talvez não haja uma resposta única, mas a discussão sobre o tema é cada vez mais latente.

Transformação

Todo relacionamento e evolução da sociedade está ligada à técnica, como a técnica está intrinsecamente ligada à sociedade, de acordo com Martin Heidegger, considerado um dos principais pensadores do século XX. Encarada como produções e habilidades do homem, vista como algo como algo de valor pequeno ou secundário diante de outros tantos modelos de saber e avaliar o ser humano, a técnica passou a representar uma nova perspectiva do ser a partir da visão inovadora de pensadores da modernidade.

A antropologia considera que não há homem sem instrumentos. A técnica se confunde com a origem do próprio homem. Ela é um saber fazer no momento em que o homem se descobre como ser. Associada à ciência, a técnica dá novas formas ao comportamento e à forma como as pessoas encaram o cotidiano. O homem pode. Ao poder, ele muda, transforma não só mais baseado no oculto, no divino. A verdade é o que se prova, se comprova, demonstra. E dessa combinação entre técnica e conhecimento científico emerge a tecnologia.

A ciência fornece objetos de pesquisa para que o homem tenha a capacidade de se reinventar, de desenvolver novas técnicas, melhorá-las e transmitir aos demais os conhecimentos adquiridos. A sobrevivência do ser como homem, especialmente em grupo, exige determinado grau de evolução da técnica e, cada dia mais na modernidade, do desenvolvimento dos meios técnicos. Com a tecnologia ligada à técnica, temos uma transformação da geração de conhecimento, armazenamento e resgate de dados modificada. Mas é preciso, ainda, voltar um pouco no tempo.

A sociedade configurada antes da indústria é do tipo agrário, embasada em moldes tradicionais nos quais o poder está, via de regra, associado à propriedade da terra. Já a sociedade industrial encontra forças na produção de bens de consumo e seu poder está no sistema capitalista de exploração. O que algumas correntes vêm chamando de sociedade pós-industrial vê nos serviços a fonte do poder intermediado pela informação. A informação gera poder, faz transitar e tem a capacidade de ampliar o capital.

Esta teoria de Daniel Bell é apontada por David Lyon em “Pós-Modernidade” como se a sociedade pós-industrial fosse responsável por fornecer a estrutura social para a sociedade da informação em que as plataformas de telefonia e os computadores tornam-se essenciais para o novos modelos econômicos e sociais vigentes no mundo, influenciando diretamente a maneira como o conhecimento é criado e recuperado e alteram a forma como o caráter de trabalho e de organizações em que os homens se engajam.

Bom exemplo recente do poder da informação é um fato que ocorreu em meados de 1990. O húngaro, hoje conhecido como especulador, mas à época investidor George Soros, conseguiu um feito inédito baseando sua atividade somente em informação. Sem produzir absolutamente um bem industrial ou qualquer bem para consumo, ele praticamente quebrou o banco central inglês e sacudiu o mercado de capitais.

O investidor levantou entre oito e 10 bilhões de dólares e conseguiu, ao comprar toda a moeda inglesa disponível no mercado global, colocando em xeque o governo britânico que tentava sustentar a moeda supervalorizada para conter a inflação e preparar o país para a unificação do euro – o que lhe garantiu um rendimento de 1,1 bilhão de dólares em apenas um dia de operação nas bolsas de valores. Simples, direto e objetivo. Tudo isso feito somente com informação do mercado de capitais e acompanhamento das bolsas de valores espalhadas pelo mundo. Importante ressaltar que não havia a chamada internet comercial ainda neste período.

Fato é que o desenvolvimento proporcionado pela revolução industrial trouxe no bojo ferramentas de grande abrangência social, as chamadas mídias massivas como a TV, o rádio, o cinema e a imprensa de uma maneira geral. Além disso, o modelo urbano e a forma de configuração industrial da época permitiram a constituição de uma sociedade baseada no consumo de massa.

Mas este tempo também está em crise. A relação de um para muitos não é mais possível e talvez não se configura mais o modelo de comunicação preponderante nas relações sociais. Isto quer dizer que as novas plataformas tecnológicas estão atuando como componente fundamental para as transformações provocadas nos âmbitos econômicos, sociais, políticos e religiosos.

As sólidas rotinas institucionais que caracterizaram a sociedade moderna por quase duzentos anos estão sendo sacudidas pelo terremoto da comunicação eletronicamente intermediada e reconstituídas em novas rotinas cujo esboço até agora não está claro.

A chamada sociedade da informação (ou sociedade informacional, como prefere Manuel Castells), conduzida por um processo de globalização, acelerou o modelo de um mercado mais aberto e regulado por seus próprios agentes. O reforço veio com a aceitação do termo ou expressão pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pela organização Mundial do Comércio (OMC) e pelo Banco Mundial, entre outras entidades internacionais ligadas diretamente ao capital no mundo.

Temos, a partir deste reconhecimento do poder, uma intensificação das relações sociais de escala mundial. O local e o global são interligados e começam a construir a caracterização das redes com agentes sociais em diferentes partes do globo, com um grande cardápio de possibilidades de conexão. Com essas transformações, vieram também grandes mudanças na estrutura de poder social. A expectativa era a de que, sem fronteiras, países economicamente desprovidos ou com grande disparidade social evoluíssem e fossem incluídos, alcançassem o progresso. O que houve, entretanto, foi o fortalecimento das economias já consolidadas e desenvolvidas. Isto é, uma nova frustração.

De um modelo de capitalismo industrial construído e mantido a partir do capital, trabalho, energia, matéria-prima e processos, passamos a um modelo instituído pelo capital, informação e conexões. Esta alteração de curso – da metodologia de uso do corpo, da força braçal nas indústrias para a (re) produção de produtos para um sistema que faz mais uso do cérebro para a produção de serviços, vem sendo chamado como capitalismo cognitivo.

No capitalismo cognitivo, o modo de o capital valorizar-se é radicalmente diferente de como acontecia no capitalismo industrial. Enquanto neste último o capital multiplicava-se pela expropriação de trabalho material de seus empregados, para o capitalismo cognitvo isso é irrelevante. No atual sistema, a multiplicação do capital está muito mais relacionada com a criação, com a geração de ideias. Contudo, a criação nunca está circunscrita à empresa. A criação nunca é criação de um sujeito, pois aquele que estaria desempenhando a função de autor é apenas um ponto de catalização dos diversos fluxos que nele se cruzam. Conhecimentos, opiniões, ideias circulam pela sociedade e são a matéria-prima da criação. A empresa apropria-se de bens comuns, de bens intangíveis, de bens inconsumíveis que são uma produção do social.

Os estudos sobre a influência dos meios de comunicação digitais são enviesados porque ainda são constituídos com o racional e metodologia, além das técnicas da modernidade capitalista, da sociedade baseada no capital de consumo de massa. Mas este nem é o pior dos problemas ou dificuldade.

Por mais que boa parte das discussões estejam centradas na forma como a tecnologia suportada pela técnica vem perturbando a condução da sociedade nos âmbitos políticos, religiosos, econômicos, culturais, o que realmente está no centro do debate é a percepção do homem. Essa alteração das estruturas de relação entre os indivíduos e com o meio ambiente causou impacto significativo e ainda não muito bem definido sobre tudo o que se tinha como sentido de vida, sobre a compreensão do homem.

[…] as possibilidades tecnológicas de transmissão e consumo de informação e principalmente de imagens alteram a percepção, o que coloca a percepção no centro das transformações presentes e futuras, no âmbito da comunicação, cada vez mais estimulada pela mediação tecnológica.

André Lemos (fonte: Twitter pessoal do autor)

Em “Cibercultura, tecnologia e vida social na cultura contemporânea”, André Lemos nos lembra que a microinformática que deu início a todo este processo de personalização dos computadores, teve início não somente do avanço tecnológico, mas da contracultura em relação aos computadores e desafios da informatização.

O Macintosh, simbolizado por uma maçã mordida, criado em uma garagem e pretendendo ser interativo, convival e democrático, estava em ruptura total com os ideais modernos, cujo modelo era a IBM, um empreendimento gigantesco, centralizado e relacionado à pesquisa militar. Mais do que simples inovações técnicas, o nascimento da microinformática (e da cibercultura) é fruto de movimento sociais.

Como o texto apresenta, esta invenção diferenciada de jovens californianos era uma maneira de protestar, de evitar que a descoberta ficasse fechada nas mãos de poucas pessoas e empresas das classes científica, militar, econômica e industrial. Em virtude dos altos custos dos primeiros computadores pessoais, a proposta do Macintosh era popularizar a informática, democratizar o acesso à informação por meio de dispositivos tecnológicos.

A discussão é ampla, complexa, envolve diferentes disciplinas e, provavelmente, também conta com o ciclo vivo de retroalimentação, no qual o desenvolvimento tecnológico influencia o comportamento social e este devolve para o universo seus aprendizados e experiências. Os novos mídias, somados à técnica, instrumentalizaram o sistema de subsistência do homem, mas também foram suportados pelo desejo e comportamento do indivíduo — agora não mais só receptor passivo.

O social é constituído por meio do cotidiano, das diversas práticas sociais e relações entre os indivíduos. Ao longo dos últimos anos, entretanto, a vida passou a ser estruturada e é mediada especialmente por redes e computadores, o que mexe completamente com o modelo de espaços (público e privado) e tempo.

A grande evolução técnico-científica, da tecnologia de maneira geral, trouxe o desafio e tema central deste trabalho: além de apenas dar suporte e auxiliar o homem para a execução de trabalhos manuais ou do controle da produção capital, o computador e, principalmente, as redes de conexão, tornam-se ferramentas de criação, comunicação e convívio entre os indivíduos. A função da máquina é extrapolada dos limites econômicos ou técnicos pela atitude da sociedade, que dá ao computador e às redes novas obrigações. As tecnologias da informação e comunicação ganham novos significados por meio do indivíduo.

Da banalização do computador – auxiliada pelas suas interfaces – pulamos para a era da popularização da conexão, do acesso universal à informação. Os novos medias possibilitam a evolução do analógico para o digital. A participação direta do indivíduo não só com o equipamento, mas com a informação ali transmitida, e sua capacidade de modificar comportamentos ou resultados fim, culminando com a realidade virtual, são fundamentais para o novo contexto que temos nos dias atuais.

Os serviços conhecidos como mídias sociais, de acordo com a pesquisadora Raquel Recuero, “representam formas de Comunicação Mediada pelo Computador (CMC), ou seja, ferramentas que estão focadas nas interações entre pessoas. O conceito, utilizado por diversos autores, foca a capacidade do ciberespaço de proporcionar um ambiente de interação e de construção de laços sociais. Com sua popularização, essas ferramentas passam a fazer parte do dia a dia de milhares de pessoas em todo o mundo, incorporados no cotidiano de suas práticas de comunicação.”

Raquel Recuero — fonte: blog da autora

Passam a ser utilizadas, também, como espaços conversacionais, ou seja, espaços onde a interação com outros indivíduos adquire contornos semelhantes àqueles da conversação, buscando estabelecer e/ou manter laços sociais. Esses espaços são decorrentes de práticas sociais que vão reconstruir sentidos e convenções para a conversação online.

A relação do homem com o mundo, com a natureza, com o ambiente, desmorona a partir da possibilidade da interação digital. A não necessidade do objeto real a ser representado, a simulação altera o significado das coisas. O indivíduo pode, agora, se comunicar e trocar informações sem barreiras territoriais, em tempo real. É uma experiência, então, inédita e que desafia qualquer padrão, norma, regime, regra.

Este diálogo como o mundo mediado por tecnologia aumenta a pluralidade e diversidade das relações e, em teoria, amplia o conhecimento no âmbito social, político, econômico e cultural da sociedade. A desterritorialização e a relação diferente com o tempo, as infinitas possibilidades de comunicação, a nova forma de organizar a interação, portanto, um novo padrão de interação social, fazem surgir novos suportes tecnológicos para a sociabilidade. E com ela, há uma espécie de midiatização da vida social, política, cultural na tecnologia, ou seja, a tecnologia é hoje a grande mediadora do ser social, o que dá um novo significado e cria uma nova forma de compreender o próprio ser.

As referências sociais, culturais, ideológicas perderam a força construída ao longo de milhares de anos na vida contemporânea. Escola, Estado, família e igreja deixaram de ditar as regras, as normas, a ética do cotidiano como verdades absolutas. Não produzem mais o sentido no indivíduo como acontecia até o desenvolvimento tecnológico e das mídias sociais virtuais.

Ao passo que temos uma ampliação da capacidade comunicacional com o avanço das tecnologias voltadas para a interação e relacionamento, também temos um movimento contrário, de individualização, de exposição do privado (e em alguns casos até mesmo do íntimo) em novos espaços públicos ainda não muito bem constituídos – se é que assim podem ser definidos esses novos canais de interação e relação.

Há uma corrente grande de pensadores como Giddens, Putnam, Wellman, Beck e o próprio Manuel Castells que acreditam no surgimento de um sistema das relações sociais centrado no indivíduo.

Após a transição da predominância de relações primárias (corporificadas em famílias e comunidades) para a de relações secundárias (corporificada em associações), o novo padrão dominante parece fundar-se no que poderíamos chamar de relações terciárias, ou no que Wellman chama de “comunidades personalizadas”, corporificadas em redes egocentradas.

É o que o especialista considera a privatização da sociabilidade causada pela falência do núcleo familiar, pelo distanciamento e novos padrões urbanos, além da crise da legitimidade política com o afastamento do homem da esfera pública. Ainda segundo Castells (2003), “[…] não é a internet que cria um padrão de individualismo em rede, mas seu desenvolvimento que fornece um suporte material apropriado para a difusão do individualismo em rede como a forma dominante de sociabilidade. O individualismo em rede é um padrão social, não um acúmulo de indivíduos isolados.”

Surge, no contexto pós-moderno (ou contemporâneo), também o conceito de socialidade pelas mãos de Maffesoli se contrapondo à sociabilidade. Para Georg Simmel, as formas técnicas, institucionais, simbólicas de uma cultura pretendiam determinar a vida do indivíduo, impor regras e normas para o convívio social, componente e princípio ativo da vida, que tende a se desenvolver no plano dos valores vitais. Mas a necessidade do homem faz com que estas formas se reconstruam o tempo todo.

A socialidade tem a característica forte do que se convencionou chamar de presenteísmo, configurando agrupamentos urbanos contemporâneos com ênfase no presente, sem projeções de futuro e com o foco centrado no cotidiano, no aqui e agora, que fogem ao rígido controle social.

Apesar de muitos autores trabalharem com o viés de que as relações sociais mediadas pelas tecnologias e pelas mídias sociais propiciam o agrupamento de pessoas em torno de bens coletivos, da busca pela igualdade ou no combate a sistemas e regimes opressores, a socialidade parece correr na contramão.

A socialidade encontra sua força na astúcia das massas, marcada por uma espécie de passividade ativa, intersticial, subversiva, e não por um ataque frontal de cunho revolucionário.

Neste contexto, os elementos se agrupam e agem em sinergia, criando uma mesma forma. Isso faz com que os indivíduos ganhem novas papéis sociais, criem personas para sua atuação em comunidades digitais virtuais. A função social deixa de ser uma e passa a ser representada por diversas outras, a depender do ambiente encontrado pelo indivíduo. É o contexto das múltiplas personalidades, da teatralidade. Como que certeiro para este cenário, Castells, em “A galáxia da internet”, afirma: “Porque na internet você é o que diz ser, já que é com base nessa presunção que uma rede de interação social é construída ao longo do tempo.”

Aqui vale retomar a colaboração de Heidegger ao debate. O pensador alemão é bastante pessimista em sua obra ao mostrar que, na vida moderna, bombardeados por um volume de informações quase inviável de ser administrado – especialmente para quem vive nas grandes cidades –, o homem tende a perder o contato com a individualidade e é cobrado a participar e corroborar com o comportamento de massa. Seus escritos de meados do século XX indicam que, quando este modelo estivesse difundido na sociedade, seria impossível você ser você.

José Ortega Y Gasset, em “A rebelião das massas” é primoroso ao definir este momento de confusão de troca de informações. “[…] Quando mais a conversação se ocupa de temas mais importantes que esses, mais humanos, mais “reais”, tanto mais aumenta sua imprecisão, sua inépcia e seu confucionismo. Dóceis ao prejuízo inveterado de que falando nos entendemos, dizemos e ouvimos com tão boa fé que acabamos muitas vezes por não nos entendermos, muito mais do que se, mudos, procurássemos, adivinhar-nos.

Esta necessidade ou vontade de participar, de se inserir, proporciona o que Castells nominou de Mass Self Communication (a intercomunicação individual). Seja pelo oculto que motiva o transformar (Heidegger), ou apenas pela simples força de vontade de ter seus desejos representados ou influenciar quem os representa. E as mídias sociais – e todos os suportes tecnológicos – são essenciais e criaram todo o arcabouço para isso. Ao mesmo tempo que integra e agrega pessoas em massa, as mídias sociais também fazem com que essa seja uma experiência totalmente individual.

Neste sentido, é válido retomar os conceitos e a linha de raciocínio de Maffesoli. Este contexto traz novamente a possibilidade e a vontade do “estar junto”, perdida ao longo do tempo, mesmo que virtualmente, ou do mobilizar para o “estar junto”, também com suporte dos meios tecnológicos e das mídias sociais. O compartilhamento de emoções em comum dá origem ao que Maffesoli intitula “cultura do sentimento”, estruturada por relações tácteis e formas coletivas de empatia, porém, com o risco de obtermos apenas ligações simbólicas e efêmeras, sem consistência ideal ou representação de fato.

Michel Foucault propôs que estamos em uma sociedade onde o poder não se dá só pela esfera econômica. Ele está no próprio ato fundante de estar junto, isto é, a vida. Mas o tempo e espaço atuais também colocam em xeque o próprio ato do “estar junto”. Não temos mais o território físico como elemento de junção da comunidade. Os debates estão em rede, foram transformados em bits e bytes e isso pode enfraquecer os laços. A conexão é a condição do estar junto hoje.

Essa efemeridade e falta de argumentação real e aprofundada faz com que o espaço público, destinado a discussões de ordem política e social (Habermas), também entre em crise. A socialidade se confunde com publicização e transforma a exposição e participação do indivíduo em muitos casos em um “culto ao eu” e chega a banalizar a articulação e organização políticas necessárias e essenciais para a condução da vida no tempo pós-moderno. E estar em rede é uma medida de publicizar-se.

O espaço privado se imbrica no espaço público e vice-versa, numa verdadeira publicização do privado e privatização do público.

A dúvida, entretanto, recai sobre a possibilidade desses novos medias serem capazes de representar ou apresentar o mesmo contexto, com a mesma importância, do espaço público idealizado e consagrado para as discussões sociais e políticas para o bem comum, coletivo, no ideário de Habermas.

Estas plataformas tecnológicas fragmentam a organização da sociedade. Afinal, qual é o espaço? Com a possibilidade de conexão e relação em tempo real, a partir de qualquer ponto do mundo, como se configura o espaço público? Há a mediação da técnica nestes ambientes, porém, a existência da argumentação é bastante questionável. Por mais abertos que sejam, por mais que consumam horas e mais horas da atenção dos indivíduos, os novos medias não parecem se estruturar como um ambiente permanente para a discussão do espaço público.

Um novo mundo

A partir da evolução das plataformas de comunicação digital e virtual – incluindo as mídias sociais — convivemos com ambiguidades a todo momento. A vida passa a ser mais conflituosa do que foi no passado. Ao passo que temos evoluções científicas e tecnológicas que alteram padrões sociais de maneira positiva e que colaboram para evolução do homem e do ambiente em que ele está inserido, ainda carregamos o peso e o fardo de problemas sociais e conflitos seculares, sem nenhuma resolução próxima.

As promessas de uma vida mais agradável e de um indivíduo mais humano parecem cada vez mais distantes da realidade, no curto e longo prazos. E isso traz ainda mais frustrações para o homem. Enquanto ser pensante, o homem começa a se questionar, a levantar novas hipóteses e se contrapor às normas. Há, contudo, um relaxamento das regras e papéis sociais.

As incertezas sociais geradas a partir da falência do positivismo utópico do progresso e da evolução da igualdade, da liberdade e da fraternidade, bem como da racionalização industrial, acompanhadas da união de técnica e tecnologia, formam terrenos férteis para este cenário de atitudes individualistas e efêmeras de sobrevivência social, de gerações presenteístas, limitadas, vazias.

No fundo, a impressão que se tem é que, apesar da evolução rápida das plataformas, das tecnologias, dos meios de comunicação entre os indivíduos, o homem cria novos contextos sociais mas, em geral, não tem conseguido acompanhar os acontecimentos na mesma velocidade. E, como bem observou Jean-François Lyotard, estamos nos tornando escravos de instrumentos que criamos para serem nossos súditos. Cada vez mais o pensar depende hoje da virtualidade, o pensar vem aparado por todo instrumental disponível.

Como a câmera escura para a sociedade do espetáculo, o panóptico para a sociedade disciplinar e a televisão para a sociedade pós-industrial, a realidade virtual é o dispositivo que melhor representa o papel das novas tecnologias da imagem na sociedade contemporânea. A realidade virtual é uma espécie de princípio de realidade dos novos tempos, buraco negro da nova cultura cibernética para onde estaria migrando toda a realidade social.

A comunicação – em especial a mediada por computadores e internet – passa a ser usada como forte artifício de fuga do vazio, de busca no simbólico como supressão de um vazio que está presente hoje no indivíduo. E isso traz alguns riscos importantes e que devem ser pontuados nos estudos atualizados do ser social.

No momento em que o real, o face a face é abandonado, substituído ou excedido pelo virtual, o ser estará perdido em si mesmo. Será tão dependente destas tecnologias que se confundirá entre momentos e espaços reais e simulados, imaginários. Não conseguirá identificar mais quando começa o pensar do homem e termina o processamento da máquina, como num processo de fusão.

A capacidade de processamento da mente humana, do ser (espírito), do ter (capital), do estar (corpo), corre o risco de ser superada pelo alto poder de execução de operações das máquinas. Se isso é bom ou ruim, ainda é impossível de se prever até pelo ineditismo do acontecimento e pelas frequentes mutações pelas quais ainda passamos numa velocidade ainda maior.

A dominação do homem pela máquina como alguns filmes e livros futuristas já destacaram ou até mesmo previram, não parece algo concreto neste momento, mas – ainda que desconhecedor profundo do cérebro e da alma – o indivíduo caminha cada vez mais para uma vida social influenciada, possuída essencialmente pelos mídias virtuais.

A construção da formação política que vem marcando a história da humanidade para agregação e instrumento de poder ou de transparência democrática – por mais que esta última seja demasiadamente usada como argumento de poder das mídias sociais – não aparecem com força no universo digital.

Em vez de vida virtual ou de uma segunda vida, a mídia social de fato está se tornando a própria vida – o palco central e cada vez mais transparente da existência humana, o que os investidores de risco do Vale do Silício hoje chamam de “internet das pessoas”.

É possível propor como hipótese que essa ausência de argumentação esteja diretamente ligada a um conceito antigo, dos idos de 1971, levantado pelo economista Herber Simon. “In an information-rich world, the wealth of information means a dearth of something else: a scarcity of whatever it is that information consumes. What information consumes is rather obvious: it consumes the attention of its recipients. Hence a wealth of information creates a poverty of attention”. A pobreza de atenção, até mesmo pelo excesso de informação, está levando a uma nova etapa de massificação, de reunião de pessoas em comunidades em torno de objetivos comuns, mas sem a profundidade necessária para a busca de novos ideais coletivos.

Na modernidade, o espaço público se desintegrou quando o pequeno jornal deixou de ser financiado pela própria comunidade e passou a ser bancado pelo capital privado, por alguém externo ao grupo. E essa configuração prevalece, com devidas modificações causadas pelas influências culturais e históricas locais/regionais, até hoje, inclusive quando analisamos quem está por trás do controle do ambiente digital virtual.

Como antigamente, estes grandes e novos mídias não são pensados como um espaço cultural, político, social, complexo e, além disso, contam com grupos de interesses privados por trás. O pensamento é de despolitizar para transformar em algo pura e simplesmente num negócio. A lógica de organização e reunião para se pensar o que é melhor para o bem comum social também se enfraquece demais neste novo contexto. É o mercado quem vai dizer o que é melhor para todos. E este mesmo mercado continua a fabricar utopias compradas pelos indivíduos em uma sociedade de consumo. Se o mercado passa a ser o novo espaço modelador da vida, é através de suas leis que as relações em disputa pelo poder, identidade e inclusão/exclusão passam a ser reconfiguradas (Bauman, 2007).

Em “Vida para o Consumo”, Zygmunt Bauman reforça este contexto. Conforme o tempo vem passando, a indústria cria necessidades e não permite que o indivíduo consiga suprimi-las nunca. Quando ele acredita que vai ter prazer com algo, logo há um novo e mais interessante, mais moderno, com mais recursos. E novamente o homem se vê pronto para consumir. É o ciclo da experiência, configurada pela eterna busca da satisfação de necessidades e desejos humanos pela produção e articulação de poder detalhada por Castells.

Também podemos encontrar este movimento nas mídias sociais ao passo que vemos a evolução de umas para outras, a migração de determinados públicos para novas plataformas em busca de novas experiências de relacionamento.

O Estado tem papel fundamental no avanço tecnológico por ser articulador das regras pelas quais também passa a informatização e a digitalização – seja sufocando por meio de regimes ditatoriais ou estimulando o desenvolvimento pela inovação. Mas a relação do cidadão, do indivíduo com o Estado também está em crise. Como reforça Manuela Castells em “Sociedade em rede”, uma das propostas da reestruturação do capitalismo ao longo das últimas décadas está em criar esforços que direcionem o apoio estatal para ganhos de produtividade e competitividade das economias nacionais, frequentemente em detrimento da proteção social e das normas de interesse público. Na sociedade informacional, isso não se configura de forma diferente.

Processos de geração de conhecimento, produtividade econômica, poder político/militar e a comunicação via mídia continuam ligados às redes globais de riqueza, poder e símbolos.

A diferença é que, por mais que estes novos meios sejam mediadores de toda a publicização do indivíduo e de sua relação com a sociedade, eles proporcionam a possibilidade da criação e produção e não somente de consumo. Por mais que tenham influenciado e até mesmo gerado mobilizações ao redor do mundo com a agregação de pessoas para a derrubada de governos ditatoriais ou, ainda, de colaborar para a aglomeração de movimentos sociais, tudo ainda é pouco consistente.

Engajamento e esvaziamento ocorrem na mesma velocidade. As mídias sociais ao mesmo tempo em que ampliam as possibilidades de sociabilidade, colocam o indivíduo preso a uma falsa realidade de interpretações baseadas não mais no real, mas no imaginário (coletivo em muitos casos), na falta de referências. Por fim, ainda aumentam a ansiedade do ser. A satisfação plena do indivíduo, a felicidade nada mais é do que um nome utópico para o preenchimento deste vazio que consome o homem cada dia mais.

O consumo, a fé e a busca intermitente pela felicidade, agora também suportados por diversas plataformas e recursos tecnológicos, são utilizados como forma de preencher este buraco que nem mesmo o homem é mais capaz de definir. Uma passagem de José Ortega Y Gasset sobre o homem-massa, em “A rebelião das massas”, consegue resumir bem este momento do indivíduo e das relações mediadas pelos novos mídias.

Nosso tempo teria ideais claros e firmes, ainda que fosse incapaz de realizá-los. Mas a verdade é estritamente o contrário: vivemos em um tempo em que se sente fabulosamente capaz para realizar, mas que não sabe o que realizar. Domina todas as coisas, mas não é dono de si mesmo. Sente-se perdido em sua própria abundância. Com mais meios, mais saber, mais técnicas que nunca, o mundo atual vai como o mais infeliz que tenha havido: ao acaso.

A quebra de fronteiras entre o humano e o tecnológico colocam diversos outros questionamentos na mesa de debates. Uma nova reformulação do capital, agora instrumentalizado por meio de redes interconectadas e de um novo ser social inerte mas também capaz de criar e gerar novos pensamentos. A falência de sistemas e o relaxamento das normas seculares juntamente com o conflito entre o público e o privado. As mutações do capital e do social ainda não conseguiram eliminar a busca eterna do homem pela felicidade e realização de desejos do homem, a transformação da percepção do homem sobre ele mesmo. Não há respostas e talvez estejamos ainda muito distantes delas, mas esta nova configuração social, política, econômica e cultural nos obriga a pensar sobre tudo isso.

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