um storytelling - do auge à decadência
Eu já fui muito querido pelas pessoas. Frequentei lugares que vocês não podem imaginar. Passei pelas mais belas montanhas, por filmes que ficaram para a eternidade. Aparecia em rádios, emissoras de televisão, jornais e revistas. Sempre como uma presença marcante.
Também andei com muitas celebridades. Influenciei pessoas ao redor do mundo. Fiz a cabeça delas. Estive até mesmo em sonhos, nas mãos das pessoas. Patrocinei festivais de música, shows grandiosos, espetáculos, peças relevantes de teatro, festas, programas em diversos veículos de comunicação. Eu estava sempre muito presente.
Em todos estes anos, fui uma excelente companhia pra muita gente. Independente da hora. Manhã, tarde, noite. Ah… em quantas madrugadas eu estava ali. Para consolar, para aliviar a tensão do dia, para ajudar a conviver com a insônia. Nos melhores e piores momentos das vidas das pessoas.
E no auge de toda a minha história, quando eu já achava que havia conquistado o mundo e as pessoas, o universo desabou. Enfim, fui desmascarado e descobriram quem eu realmente sou, descobriram meu disfarce. E, de repente, o céu virou inferno. De ótimo companheiro para todos os momentos, fui marginalizado, transformado em carrasco, considerado o destruidor de vidas e histórias.
Simplesmente fui proibido de circular por aí. Estar comigo, vejam só, em determinados lugares ou situações, passou a ser considerado algo até mesmo criminoso. Deixei, do dia para a noite, de ser sexy, elegante. Passaram a me chamar de praga. Dizem que só trago doenças, que sou praticamente um câncer. Sim, eu sou o novo demônio. Tenho que ficar mendigando meu espaço. No máximo hoje apareço na porta das baladas, mas sou proibido de entrar.
Saiba, porém, que ainda sou capaz de proporcionar muito prazer e satisfação. Continuo aqui, prontinho para você. Esperando o momento certo, já que não me resta mais muita coisa a fazer além de contar com a sua boa vontade. Sou fácil, até barato. E você tem o poder de escolher se ainda me quer. Mas eu cobro meu preço. E é bem alto.
Pode custar a sua vida!