Começar pelo começo

Há tempos ensaio escrever algumas ideias e publicá-las. Até me decidir sobre o que escrever, temas permaneceram incubados. Obviamente, minhas experiências e acontecimentos pessoais influenciaram muito sobre que direcionamento dar.

O fato de ser mãe de primeira viajem, criando meu filho sozinha e mergulhada no universo da maternagem me motivou a compartilhar um pouco sobre esse mundo. Pretendo faze-lo através da ótica da criticidade à maternidade vigente, depois falamos mais sobre isso!

Além de falar sobre ser mãe, pouco mais de um ano tenho me interessado muito pelo universo do brincar e suas muitas faces.

Cá estou, na tentativa de tirar o poeira da massa cefálica e exercitar o eu Eveline para além mãe, sem nunca deixar de ser. Suerte!

Começar pelo começo, bom também.

Há três anos mais ou menos, descobri que estava grávida. Não havia planejado ter um filho na época, contudo, a partir do momento que soube, percebi que a gravidez poderia me abrir portas para reflexões importantes como pessoa, como cidadã e como educadora- afinal ser mãe não é só limpar bunda.
Com uma forcinha, um pouco de união e boa vontade a maternidade pode ser uma excelente oportunidade para o amadurecimento emocional e o conhecimento respeitoso sobre o outro.

Vou fazer um adendo à importância da dimensão social da criação, só para lembrar de falarmos disso em outro momento!

Geralmente a maternidade é colocada enquanto um processo que aprisiona os pais, principalmente a mãe. A gestação, os cuidados de um recém nascido, a rotina que precisa ser adaptada à chegada de um novo membro, todas essas etapas demandam uma dinâmica que exige muito dos pais. Quando a divisão das tarefas se dá em 50% a adaptação ocorre de maneira mais tranquila se isso não acontece, geralmente um dos cuidadores fica sobrecarregado.

A sobrecarga na criação é um dos grandes problemas da maternidade (na maioria das vezes fica a cargo da mãe cuidar, mas há casos em que isso se dá com o pai, avós). É preciso que o cuidado seja coletivo e que a criança seja persona de interesse para os pais (independente de qual configuração familiar tenha).

Uma criança com atenção e cuidado partilhados é uma criança feliz e esse é nosso objetivo.

Dito isso, gostaria de exaltar nesse primeiro post algo que chamarei de potencial relacional da maternidade. Afinal, o que é esse trem?

Eu também não sei dizer ao certo , penso que estamos - eu, você e toda la gente buena -construindo o potencial relacional no dia a dia quando nos relacionamos com a criança e com o cuidado, sim, porque o cuidado não é algo pronto e acabado.

O cuidado é algo com o qual nos relacionamos, ele é passível de ser descoberto e possível de ser transformado.
Afinal, o cuidar pode e deve ser algo além dos padrões aos quais estamos acostumadas, enquanto mães e enquanto pessoas. Um devir.

Se mantemos uma postura de cuidado em relação ao outro (seja ele, animal, vegetal e mineral) estamos mais próximos do equilíbrio que buscamos consciente ou inconscientemente.

O objetivo no fim das contas é estarmos abertas a aceitar que certo e errado não existem e que a maternidade é um processo de relacionamento entre o cuidador, cuidado e criança.

É preciso refletir sobre o cuidado, observá- lo e fazer isso nos levará a nos observar também. Eis a questã!

Isso tudo tem muito a ver com minha pequena caminhada através da filosofia e do Yoga. No Yoga buscamos um objetivo (pode ser físico, mental ou respiratório) e para atingir este objetivo precisamos nos auto observar e superar nossos limites. Como superar um limite?
Superar um limite é nunca parar de tentar, o movimento é a tônica da vida e a vida é o sentido do Yoga.

Vida, movimento e criação.

É na fusão desses elementos que descobri no brincar um “lugar” mágico e amplo, onde busco os significados do meu próprio processo pessoal enquanto mãe e educadora e sobre o qual pretendo compartilhar aqui.

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