Innamorata

Em toda minha vida busquei algo no mundo, um olhar, aquele raio de sol, o vento frio do amanhecer… Por anos falei de apaixonamento. Que a vida deveria ser bebida intensa, de um gole, com sofreguidão. Ainda assim essa sensação de busca persistia. Um ruído provocando, atiçando, embaçando as felicidades corriqueiras…

Insatisfeita, faminta, entre verões intensos e invernos soturnos, me lancei a amar. Um convite irresistível a doar-se. Paixões vieram e foram. Algumas mudaram como via o mundo, outras reforçaram minhas crenças. Empurrando dias e horas em convulsa tentativa de estar "innamorata".

Os anos passaram por mim, como fazem com todos, imparciais, constantes, um dia após o outro. Descobri-me eternamente apaixonada. Irremediavelmente impulsionada pelo amor… De um amigo, pelo por-do-sol, um belo quadro. É na febril intensidade do sentimento de encanto que sorrio e floresço. Crio. Imprimo ao mundo meu eu, fragmentado e tolo, mas honesto.

E por essa transparência descobri que alguns amores não me elevam mais que outros. A maternidade foi um passo, mas não o fim que esperava. O casamento a certeza de um companheirismo e amizade infinito. Prova de que há amores e laços que se tornam melhores com o tempo.

Mesmo assim, meu coração segue completo e incompleto. Feliz e solitário. Buscando, sempre, uma vida "innamorata".

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