NESSE TEMPO, “ENTREGA” É TREVO DE QUATRO FOLHAS

Ela só queria ser diferente, ele só compreendia o que era igual. Ela cansava-se fácil de repetições, era comodo, fácil e aos poucos o mais do mesmo sempre tornava-se insatisfação. Ele adorava a rotina, não ter que pensar um pouco sobre cada coisa, amava o cinza, o minimalismo. Enquanto ela sobre uma tela era um caleidoscópio ele era um completo branco. Tinham bastante sorte na vida, ele contentava-se com qualquer trevo, ao passo que ela buscava o de quatro folhas, mesmo que sua raridade depende-se de uma mutação genética.

Num mundo onde todos querem sentir-se bem, parte integrante de algo ela só quer ser reconhecida por ser diferente. Mas não, não existe nada errado na vontade dele de seguir o bando, cada um deve sentir-se bem da maneira que escolhe viver.

No final não importa as diferenças, ela é como tomar um copo de chocolate depois do almoço e ele como o bolo que se come no café, pois no final do dia, com toda e qualquer contradição é a mistura dos dois corpos numa mesma cama que se preenchem uma necessidade física e emocional de ambos. E não estou falando daquela coisa de os opostos se atraem, estou falando que não importa a diferença onde existe respeito e aceitação. Mesmo em meio a muitas diferenças algo sempre pode dar certo se houver uma entrega.