Uma breve (longa) explicação sobre o que é viver com ansiedade (generalizada) e depressão (endógena)

Imagem 1: “Depressão é quando você não consegue sentir nada. Ansiedade é quando você sente tudo demais. Sentir os dois é uma guerra constando dentro da sua mente. Sentir os dois significa nunca ganhar”.| Imagem 2: “Sensação de dormência. Que contraditório. Quão apropriado. Você pode realmente se sentir dormente? Ou é a incapacidade de sentir? Estou tão acostumada a me sentir dormente que eu comparo com um sentimento real?”| Imagem 3: “Minha cabeça está enchendo com hélio. O foco está desaparecendo. Uma decisão tão pequena para tomar. Uma pergunta tão fácil de responder. Minha mente não está deixando. É como mil circuitos atravessando ao mesmo tempo”. ( Fonte: katiejoycrawford.wordpress.com)

“A característica essencial de uma ansiedade generalizada (um dos tipos de ansiedade existentes) é uma ansiedade excessiva e preocupação desproporcional ao estímulo; o foco da preocupação não é justificável para a intensidade da ansiedade. É um estado de ansiedade permanente com grande mal-estar e desconforto.

É necessário diferenciar da ansiedade normal. Esta é restrita a determinado contexto e sua duração é relativamente curta, devido a uma adaptação à situação.

A ansiedade provoca tensão, apreensão, nervosismo, sofrimento mental, muito desconforto, tendência a premeditar e controlar o imprevisível que sempre se refere a possibilidades ruins e perigosas que possam acontecer no futuro. Os indivíduos com ansiedade generalizada estão sempre imaginando estas situações e sentem muita insegurança em relação a não terem capacidade de lidar com as mesmas.

As preocupações mais freqüentes são em relação a si mesmos e aos familiares mais próximos; como: doenças, acidentes, sofrimentos, etc.

Os sintomas podem oscilar no tempo, fazendo com que a pessoa se sinta melhor em algumas ocasiões e pior em outras.

- A pessoa acha difícil controlar a preocupação.
- Cansaço
- Ser facilmente fatigável
- Dificuldade de concentração
- Ter “Brancos”
- Irritabilidade
- Tensão muscular e dificuldade para relaxar
- Alteração do sono (dificuldade de pegar no sono, dificuldade de ficar com sono ou sono insatisfatório)

A ansiedade não pode estar relacionada a outro distúrbio psiquiátrico.

Causa importantes alterações nas diferentes áreas de funcionamento do indivíduo.

Outros sintomas físicos relacionados à ansiedade são:
- sudorese excessiva
- náusea
- diarreia
- boca seca
- mãos e pés frios e úmidos
- sensação de bolo na garganta
- assustar-se facilmente
- aumento da frequência cardíaca, etc.

Nos períodos normais de estresse, mesmo que bons (ex: mudança para emprego melhor), geralmente há exacerbação do quadro.

Este quadro leva a prejuízos do funcionamento normal do indivíduo, quer seja social, acadêmico ou ocupacional.”

“A depressão endógena (um tipo de depressão que é causada por natureza, ou por legado da família que já possui) é um transtorno do estado de ânimo que se caracteriza por uma tristeza, desesperança e apatia acentuadas. No entanto, a causa da depressão endógena difere daquela da depressão reativa. Nesta, não existe uma situação externa desencadeadora, ela se deve a fatores internos ou psicobiológicos.

Ela é causada por uma alteração ou mudança estrutural na bioquímica cerebral; por outro lado, na depressão reativa existe uma relação evidente entre a situação desencadeante e o começo do transtorno, sendo o motivo desencadeante o núcleo central da depressão.

A falta de causas externas identificáveis pode dificultar a compreensão da doença por parte das pessoas próximas daquele que sofre e da própria pessoa doente. Um desequilíbrio na química do nosso cérebro é suficiente para nos mergulhar em uma profunda tristeza, que nem nós mesmos entendemos, mas da qual não podemos escapar sem ajuda.

A química da depressão:

Na depressão endógena ocorre uma diminuição acentuada da serotonina, assim como na exógena, mas neste caso ela não é causada por fatores externos, e ocorre de maneira natural. Neste tipo de depressão há um elevado componente genético, embora este “apenas” aumente as probabilidades de sofrer de depressão, e não a determine. Existem várias hipóteses que relacionam vários neurotransmissores com a depressão.

A hipótese noradrenérgica postula que a depressão se deve a uma deficiência funcional da noradrenalina nas sinapses cerebrais. Uma das conclusões que reforçam essa teoria é que a privação do sono, concretamente da fase REM, tem efeitos antidepressivos e isto se deve a um aumento da sensibilidade dos receptores de noradrenalina.

A serotonina tem um papel muito importante de regulação do equilíbrio do nosso corpo, modulando a ativação excessiva. O déficit deste neurotransmissor, juntamente com o déficit funcional catecolaminérgico, pode provocar um estado depressivo. Além disso, há estudos que demonstram a reação entre a diminuição de serotonina e a tendência ao suicídio.

Sintomas típicos da depressão:

Existem diferentes sintomas de depressão, e nem todo mundo sofre dos mesmos, mas a sintomatologia típica da depressão é:

- Sintomas anímicos: a tristeza é o sintoma por excelência da depressão. Também pode incluir irritabilidade, sensação de vazio ou nervosismo. Há uma redução acentuada de emoções positivas.
- Sintomas motivacionais e comportamentais: estado geral de inibição que se traduz em apatia, indiferença e anedonia.
- Sintomas cognitivos: ocorre alteração na memória, na atenção e na capacidade de concentração. Além disso, o conteúdo da cognição é alterado pela aparição da autodepreciação, sentimento de culpa e perda de autoestima.

- Sintomas físicos: são comuns problemas com o sono, como a insônia ou a hipersônia. Também podem aparecer a fadiga, a perda de apetite, uma diminuição de atividades e do desejo sexual.
- Sintomas interpessoais: existe uma grave deterioração nas relações interpessoais, chegando inclusive ao isolamento.

Embora estes sintomas possam se apresentar em qualquer um dos tipos de depressão maior, existem algumas diferenças na forma como os sintomas são apresentados e, acima de tudo, na sua intensidade. A depressão maior, seja reativa ou endógena, é incapacitante e dificulta as relações sociais e o desempenho no trabalho, embora a endógena geralmente seja mais séria.

Sintomas próprios da depressão endógena:

Apesar de ambos os tipos de depressão (reativa e endógena) compartilharem majoritariamente os mesmos sintomas, também existem diferenças. As depressões endógenas têm sintomas mais vegetativos, como por exemplo a taquicardia. Os sintomas são mais graves, com maior probabilidade de pensamentos suicidas. Além disso, na maioria dos casos é possível identificar uma variação sazonal dos sintomas e um despertar precoce.

A pessoa sente uma tristeza mais intensa, intrusiva, desproporcional e penetrante. Além disso, a tristeza é acompanhada de uma anedonia acentuada, ou, em outras palavras, uma incapacidade para sentir prazer. Há uma perda de reatividade, a pessoa não consegue reagir emocionalmente perante os sucessos positivos importantes.

A tristeza endógena não é modificável de forma voluntária, apesar dos esforços.”

Estas são definições destes dois sites: http://www.depressaoeansiedade.com.br/ansiedade-generalizad… e https://amenteemaravilhosa.com.br/depressao-endogena/

E agora, eu te pergunto, você acha que qualquer pessoa no planeta terra escolhe ter todo esse tipo de sintoma?
Não consegue dormir porque a cabeça não para um instante e a única vontade que dá é de estourar a mesma na parede para ver se tudo isso passa.
Não consegue levantar porque parece que tem um elefante nas costas, como se não fosse o dia certo pra levantar e que ninguém vai se importar mesmo.
E se levanta, fica com uma tremedeira que mal consegue falar, digitar, fazer qualquer coisa sem parecer que tem parkinson. Levanta e parece que a todo e qualquer momento vai desmaiar, cair subitamente, que a perna não vai funcionar mais, que a tremedeira é tanta que parece que o coração e o cérebro vão explodir ao mesmo tempo.
Fora a autoestima, que não se resume em beleza, mas sim na sua capacidade para outras coisas, que neste caso é em 0%.
Como é que você vai estudar, trabalhar se você mal consegue parar de se tremer, ou não consegue controlar o coração explodindo, as pernas bambas, o olho fundo, a agonia e irritação, o pensamento de incapacidade de qualquer coisa?

E vou contar um segredo: quem sente tudo isso, no fundo sente uma puta vergonha do caralho de ser impotente, de não conseguir controlar tudo isso, e obviamente se você de fora perguntar “ei, tá tudo bem?” a pessoa vai responder que está mesmo que ela esteja prestes a desabar no meio da rua para chorar incessantemente de vergonha e medo de tudo isso que ela sente.

E tudo isso que nós, depressivos e ansiosos sentimos, não é nem um pouco de frescura, preguiça ou qualquer outra coisa. É um problema sério. Isso afeta tudo o que nós fazemos. Todos os nossos passos, todas as nossas insônias ou excesso de sono pois o corpo fica tão fraco mas tão fraco que nós não conseguimos nem dar um passo sem achar que vamos cair e desmaiar. Todos os dias em que a garganta fecha e não conseguimos comer um grão de nada durante o dia inteiro. Não conseguir parar de se tremer, de se achar um lixo, incapaz de qualquer coisa, de acabar esquecendo tudo e se perder no inferno que é a nossa cabeça.

E também existe uma outra impotência: depender de remédios pra converter este estado. Depender de um dopante para que eu pare de me tremer, para que eu não tenha uma crise de pânico ou crise psicótica de socar a parede até não sentir as mãos e chorar sem parar. E dormir quando consegue porque não ter forças pra absolutamente nada.

Só quem sente essas coisas é capaz de entender tudo isso, e quem não tem simplesmente vai julgar como todo o resto da sociedade faz.

Ninguém que eu conheça e muito menos eu que sinto, gosto de sentir tudo isso. Isso me incapacita de muitas coisas, isso me incapacita de viver “normalmente”. Isso me incapacita de tudo, e definitivamente eu não escolho sentir isto. Eu não escolho me sentir incapacitada, um lixo, um nada, um vegetal. Eu não escolho nada disto, mas infelizmente eu tenho e preciso conviver com isso. E não é tão simples e fácil dar a volta por cima, como podemos ver nos textos acima.
No fim das contas, estas são coisas que lidamos sozinhos porque só nós sabemos o que é e sabemos que ninguém vai compreender.

Evelyn Arruda Silva

Written by

Com pedaços de mim eu formo um ser atônito.

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