Apoiando Pais e Mães que Trabalham: Um Guia para Empresas e Colegas de Trabalho

Evernote Brazil
Jun 11, 2018 · 7 min read

*Jessi Craige

A vida de alguém que trabalha e tem filhos é incrivelmente recompensadora, mas nem sempre é fácil. Mães e pais no mundo todo se esforçam para que suas horas de trabalho e de vida pessoal se equilibrem da forma mais harmônica possível.

De acordo com a Gallup, moradores dos Estados Unidos com filhos abaixo dos 18 anos têm maior chance de se sentirem estressados ou com a sensação de não têm tempo para nada comparado aqueles que não tem filhos.

Mas não depende só dos pais a descoberta de como gerenciar este estresse adicional. Eles precisam de uma ajudinha a mais das empresas para as quais tanto trabalham.

Diversos membros da equipe Evernote se reuniram recentemente para discutir a questão. Na segunda parte de nossa série sobre ‘como trabalhar quando se tem filhos’, eles compartilham seus pensamentos sobre como as empresas e os colegas de trabalho podem fazer sua parte e aliviar um pouco a rotina. Desde fornecer benefícios até definir o tom em busca de uma cultura que se importe, há muito que as empresas, gerentes e colegas sem filhos podem fazer para apoiar os pais e mães com espaço, empatia e um pouco de bondade humana.

Resumindo: local amigável aos pais e mães faz bem ao negócio

Além da dimensão humana de se preocupar com seus funcionários, existe um case de negócios real.

Em 2016, quase 90% das famílias dos Estados Unidos com filhos tinham pelo menos um dos pais empregados. Isso é uma fatia bem grande da população ativa. Então criar políticas amigáveis para famílias pode te dar uma vantagem na guerra em busca de talento. Uma pesquisa da Care.com mostrou que 62% dos empregados sairiam de seus trabalhos em busca de benefícios melhores, enquanto que uma pesquisa da Glassdoor revelou que quatro entre cinco trabalhadores preferem benefícios melhores em vez de um aumento de salário. E essa pressão só vai aumentar no futuro. Em 2025, millenials serão 75% da força de trabalho nos Estados Unidos, e eles já mostraram que flexibilidade e licenças importam muito.

Mas não é só cuidar dos pais e mães. Há benefícios reais para as empresas também. Por exemplo, quando a Google aumentou seu período de licença maternidade, eles descobriram que a quantidade de mães que pediram demissão diminuiu 50% (!), enquanto um trabalho fascinante da New America Foundation sobre licença maternidade/paternidade citou estudos que mostram que isso aumentou a moral, produtividade e desempenho financeiro. Então, encontrar maneiras de ajudar em casa deixa os funcionários mais felizes, mais engajados e mais produtivos no trabalho, o que sempre é bom para os negócios.

Políticas com objetivos: ajudando, de maneira inclusiva

Mas como estes benefícios e políticas devem ser? Há benefícios tangíveis que as empresas poderiam colocar em prática, como creche no local, auxílio-creche, ou um subsídio para ajudá-lo a cobrir os custos.

Políticas de licença maternidade/paternidade também são uma grande maneira de causar um impacto. E não só por causa do tempo especificado, o período de transição também é importante. Voltar ao trabalho aos poucos com opções de jornadas parciais ou de trabalho em casa podem ser muito úteis para novos pais/mães nesses primeiros meses após a licença.

Mas estas políticas precisam ser inclusivas. Precisamos nos lembrar que apoiar pais e mães que trabalham não deve ficar confinado só na visível nova mãe que precisa de um local para amamentar quando sai da licença maternidade. Ser pai e mãe é um emprego de muitos anos que afeta homens, mulheres, pais e mães biológicos e adotivos e de recém-nascidos ou adolescentes, todos da mesma forma. As empresas devem pensar em criar políticas de acordo.

Por exemplo, estudos mostraram que aumentar a licença paternidade faz com que seja mais provável que as mães consigam voltar ao trabalho em tempo integral (além de outros benefícios como os pais serem mais envolvidos na vida da criança).

Aqui na Evernote, oferecemos tanto às mães, quanto aos pais, seis meses de licença nos Estados Unidos, além dos programas de licença federais e estatais, com duas semanas de trabalho em jornada parcial para facilitar o retorno depois. Isso inclui o nascimento de um filho ou adoção, para encorajar os laços familiares. Também lançamos Lucy, um novo recurso que oferece um sistema de suporte baseado em tecnologia para novos pais e mães ao fornecer cuidado pré e pós-natal, recursos e orientação.

Dias flexíveis para se adequar à vida real

Todos sabemos que a forma como trabalhamos está mudando, desde o trabalho remoto até equipes virtuais e tempo de férias. Então, as empresas devem focar em criar um ambiente que viabilize a flexibilidade para os pais e mães que trabalham.

Desde dias para trabalhar de casa, até horários flexíveis, pais e mães precisam do espaço para ir a reuniões na escola, recitais de música e consultas no dentista. E um horário tradicional de 8h30 às 17h30 não é exatamente o mais indicado para acomodar isso tudo.

Benson Wong, Administrador Sênior de TI e pai de uma menina de dois anos de idade observou: “A Evernote é muito boa com coisas como, por exemplo, nos deixar sair durante o dia para uma consulta médica e depois voltar. Contanto que você faça o que precisa fazer e cumpra seus prazos, é uma sensação de autonomia e empoderamento, o que é muito bom quando se tem filhos.”

Crie a cultura de suporte

Mas não basta só falar sobre isso ou introduzir novas políticas. Se as mães se sentem culpadas ao sair do escritório para ir àquela consulta, ou se os pais não usam sua licença paternidade, então isso não está ajudando muito. A flexibilidade precisa permear a cultura.

Felizmente, a cultura no escritório está começando a mudar do “presenteísmo” para uma mais focada em resultados. E isso pode ser um grande diferencial. Como membro da equipe de liderança Evernote, o chefe de marketing Andrew Malcolm faz várias entrevistas de contratação. Ele disse que sempre perguntam:” Qual é a coisa mais singular na Evernote? E uma das coisas que sempre respondo é que não há muitos locais onde você pode ser um grande funcionário e um grande pai ao mesmo tempo. Isso é parte do que estamos tentando fazer aqui.”

Um guia de como dar suporte aos seus colegas de trabalho

E não são só as potências corporativas que devem apoiar os pais e mães, colegas de trabalho e gerentes precisam fazer suas partes também. Aqui estão algumas dicas que qualquer um pode usar para criar um ambiente de trabalho mais empático para colegas com filhos:

1) Dê espaço e generosidade

É importante que os colegas de trabalho que não têm filhos “compreendam que existem muitas maneiras em que um filho possa te afetar”, compartilhou o gerente de desenvolvimento de produto Jesse Day. “Até mesmo entre o primeiro e o segundo filho pode existir uma grande diferença na sua experiência, então, certifique-se de dar aos pais espaço e generosidade. Estamos tentando manter a espécie ativa, e isso não é fácil.”

2) É tudo uma questão de empatia

Um tema recorrente nos conselhos que ouvimos foi empatia. Andrew disse: “Você não tem ideia do que alguém passou. Se você está em uma reunião às 10h da manhã, pode não saber que a pessoa na sua frente pode estar acordada desde às 3h com o seu filho”. Jesse concordou dizendo que “se você vê um pai ou uma mãe e parece que eles estão tendo um dia ruim, provavelmente eles estão. Não tem nada a ver com você, então lembre-se que não é nada pessoal.”

3) Pense na agenda de um pai/mãe.

Lembre-se que não é fácil para um pai/mãe estar naquele happy hour ou em reuniões de última hora. Ao organizar eventos da equipe, coloque alguns almoços ou cafés da manhã, ou antecipe a hora de início do evento para que mais pessoas consigam fazer parte. E não fique estressado quando receber aqueles e-mails às 4 da manhã, quem tem filhos se adapta a quando pode responder.

4) Gerencie as conversas.

Ao gerenciar um pai/mãe que trabalha, há alguns itens adicionais que você precisa levar em consideração. Um estudo revelou que 41% dos pais e mães que trabalham não acreditam como poderiam ser bem-sucedidos sem um chefe que os apoie. Ao perguntar como os gerentes poderiam cultivar este apoio, conversas sobre desenvolvimento de carreira foi uma arena clara para discussão.

Jesse compartilhou a necessidade de considerar que alguns pais podem estar focados em “manter-se onde estão agora e depois trabalhar para o próximo nível quando os filhos estiverem um pouco mais velhos.” Mas outros discordaram, ressaltando que, especialmente para as mulheres, existe o medo real de ser “vigiada como mamãe” no trabalho.Nancy Fu Magee, diretora de produto na Evernote diz que “pode ser perigoso assumir pais que não querem avançar nas suas carreiras enquanto estão na época que criam os filhos. É uma escolha válida, mas não imagine que é uma escolha que as pessoas querem fazer.” Sabendo que as duas escolas de pensamento estão aí, é importante levar as duas perspectivas em consideração com as pessoas que você gerencia.

A necessidade de uma comunidade

No final do dia, construir um local de trabalho que seja verdadeiramente amigável para pais e mães é mais do que simplesmente acomodar aqueles que têm filhos. É verdadeiramente viver a ideia de sermos nós mesmos, com bagagem, mamadeiras e tudo mais.

E como Andrew ressaltou que realmente não temos muita escolha nessa questão. Ele disse: “Você realmente se leva totalmente para o trabalho, quer queira ou não”.

Mas, se você trabalha em um lugar que tenha espaço para esse tipo de coisa, fica um pouco mais fácil.

Evernote Brazil

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