“Coisas que você deveria fazer: Empreender” - Roberta Vasconcellos

Pular de paraquedas, correr uma maratona, viajar para a Austrália, pintar o cabelo de vermelho. Quem nunca criou uma lista de coisas para fazer na vida? Na lista da Roberta Vasconcellos, mineira de Belo Horizonte, abrir um negócio sempre esteve em primeiro lugar. Roberta é a fundadora do Tysdo — Things you should do, aplicativo para smartphones voltado para ajudar pessoas a realizarem os seus sonhos.

Para Roberta, felicidade no trabalho está em ser você mesmo e ter aquela sensação de dever cumprido no final do dia. Confira o bate-papo da equipe da Evernote com essa empreendedora que está fazendo barulho no Brasil.

Evernote: Quais as decisões que te levaram a fundar o Tysdo?

Roberta Vasconcellos: Eu tenho 27 anos, sou publicitária de formação, cheguei a fazer Direito também e fiz pós-graduação em Gestão de Negócios. Minha primeira experiência empreendedora foi aos 11 anos, eu e minha mãe montamos um negócio de doces. Aos 16, fiz intercâmbio no Canadá, trabalhei em uma barraquinha de cachorro quente perto do meu colégio, achei o máximo! Estava em contato com pessoas e, aprendendo sobre uma nova cultura, acabei juntando dinheiro e comprando meu primeiro laptop. De volta ao Brasil, trabalhei em lojas, fiz uns estágios em publicidade e cheguei a trabalhar nos negócios da família. Venho de uma família empreendedora, meu irmão é um dos meus sócios aqui na Tysdo. Quando já estava quase formada em publicidade, comecei a trabalhar em uma startup chamada Samba Tech. A Samba foi uma escola para mim, fique lá por três anos, comecei como estagiária e no final gerenciava um time, ganhei uma autonomia muito grande e aprendi muito. Saí da Samba para fundar a Tysdo com meu irmão, e um amigo em comum nos apresentou os outros sócios que temos hoje.

Evernote: Como surgiu a ideia do Tysdo, qual foi sua motivação?

Roberta Vasconcellos: Cada um tem uma motivação pessoal forte. A gente sentou para pensar em ideias que poderíamos tocar juntos e vimos uma apresentação que trazia o “things to do before you die”, na hora deu click em todo mundo. A gente começou a agregar as ideias para realmente usar a tecnologia para ajudar as pessoas a aproveitar a vida, porque é meio clichê, mas o maior ativo que a gente tem é o tempo. A vida é uma só e depois a gente dá conta que poderia ter feito muito mais coisas que fizessem mais sentido, mas só ficamos naquela “eu queria ter feito exercício físico”, “queria ter feito aquela viagem”. As pessoas se deixam levar pela rotina e a gente queria que elas usassem a tecnologia para tirar essas ideias da cabeça, com um aplicativo que é algo dinâmico, que pode te ajudar a organizar e juntar pessoas que tem interesse em comum. Às vezes a ajuda que eu preciso está muito próxima e a tecnologia pode unir.

Evernote: Vocês têm um espaço de trabalho próprio?

Roberta Vasconcellos: A gente ficou oito meses home office até receber um investimento anjo. No escritório a gente tem uma parede dos sonhos para as pessoas deixarem sua marca registrada. A gente brinca que é igual coração de mãe, sempre cabe mais um. Antes eram só os quatro fundadores, hoje somos sete.

Evernote: Hoje é uma tendência que escritórios não tenham baias e salas, e o escritório da Tysdo é assim. Você acha que essa estrutura facilita o trabalho?

Roberta Vasconcellos: Acho ótimo, cria uma cultura horizontal, não tem essa coisa de o presidente e o diretor ficarem em uma sala separada, acho que a grande vantagem da startup é criar essa horizontalidade de igualdade, porque aí a comunicação é muito fluída, tudo muito rápido de ser resolvido. Tipo a Perestroika, uma escola criativa no Sul, onde todo mundo é diretor de ‘whatever’, não importa o título, é todo mundo como se fosse dono.

Evernote: Vocês acreditam no trabalho colaborativo? Na sua opinião, esse é um ponto importante para o sucesso de uma startup?

Roberta Vasconcellos: É fundamental essa troca de conhecimento e aprendizagem, não só entre quem está aqui, mas a gente busca muito conhecimento fora também. Temos uma comunidade forte de startup em Belo Horizonte. Acho que o principal benefício desse tipo de comunidade é realmente essa troca, o colaborativismo, às vezes eu vou começar com uma estratégia comercial de parceria com estabelecimentos, então vou buscar uma startup que seja boa nisso, ver as práticas dela e evitar errar em algo que ela já errou. A gente recebe muita startup para conversar, muita gente que está entrando no mercado de mobile vem para pegar algumas dicas de melhores práticas e vice versa. Se a gente vê que tem alguém que é muito melhor que a gente em alguma coisa, sempre estamos conversando, buscando entender. Desde o começo a gente conversa com fornecedor, investidor, para pedir conselho.

Evernote: Para você o que é felicidade no trabalho? Você se considera feliz?

Roberta Vasconcellos: Eu me considero muito feliz, a gente está fazendo uma coisa que a gente acredita, que gosta, mas isso é muito relativo, acho que cada um tem uma motivação muito pessoal do que é felicidade e isso tem que ser respeitado. O grande desafio é entender a motivação das pessoas e fazer com que elas se sintam à vontade. Eu li uma frase que diz que para que as pessoas estejam felizes elas precisam ser elas mesmas no ambiente de trabalho. Eu estava lendo sobre isso outro dia, sobre as coisas que mais motivam as pessoas e as que mais desmotivam. As que mais desmotivam são: salário, condições de ambiente ruins e etc. E os que mais motivam são: você ter reconhecimento e ser valorizada, mas não necessariamente se os fatores de desmotivação estiverem ok, não significa que a pessoa está feliz, os outros são tão importantes quanto. Às vezes ela pode estar com um ótimo salário, em um ambiente legal, mas se ela não estiver sentido que está sendo ela mesma, que está fazendo alguma coisa importante, o resto pode estar maravilhoso que não adianta.

Se eu fosse resumir seria: felicidade no trabalho é você poder ser você mesmo no ambiente de trabalho.

Evernote: E sucesso?

Roberta Vasconcellos: Está muito atrelado à felicidade, também é muito relativo. Às vezes até uma falha foi um sucesso, porque foi um aprendizado. Acho que é você ter aquela sensação de “fiz minha parte”, “missão cumprida”, estar de bem com você mesmo e o ambiente que você está vivendo.

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