meu top dez melhores livros do ano de 2017

fiz esse post no facebook e resolvi trazer para cá, porque lá a coisa vai se perdendo com o passar dos dias e acho bom ter essa lista salva para mim mesmo. eu tinha um planejamento que fiz em dezembro de 2016, mas o primeiro ano de mestrado foi um atropelo de aulas, textos, xerox, pdfs, seminários, eventos… então li o que o mestrado me deixou ler e estou satisfeito com o que li. só incluí na lista aqueles livros que li, gostei e não eram pro mestrado.

TOP DEZ [não tá em ordem de favoritismo]

“a assinatura de todas as coisas”, da elizabeth gilbert, autora de comer, rezar, amar, ou algo assim. que livro lindo demais. chorei? chorei. o livro conta a história da vida de alma whittaker, uma mulher de família rica e culta. alma é muito culta, tem interesse em ciência, mas não tem sorte no amor. o livro fala muito sobre botânica, viagens em alto mar, solidão, busca por um amor e completude, darwin. leiam lá.

“o amor dos homens avulsos”, do victor heringer. já que comecei a lista com um livro que chorei, incluo em seguida outro que também me fez chorar e mexeu com memórias antigas.o livro do victor, pra mim, é sobre o primeiro amor e a impossibilidade e interdição de certos afetos, mas também sobre aprender a se perdoar. lembro que, ao terminar de ler o livro, senti como se muito peso tivesse sido tirado dos meus ombros.

“vidas secas”, de graciliano ramos. esse, na verdade, foi releitura e meio que dispensa qualquer comentário. li há muito tempo, acho que para algum vestibular. tinha achado ok, mas dessa vez deu vontade de dormir abraçado com o livro.

“capitães da areia”, jorge amado. meu primeiro jorge amado e, apesar dos elogios que sempre ouvi, nunca pensei que fosse achar tão maravilhoso.tem umas passagens difíceis de ler, porque pesadas, como certo acontecimento nas docas, mas que livro!

“vozes de tchernóbil”, da svetlana aleksievitch. é um livro muito diferente das coisas que eu já tinha lido e também é difícil de ler, mas livrão da porra. o livro é composto de vários relatos de moradores da região onde ocorreu o acidente de chernobyl. já começa com uma porrada no estômago e segue sendo porrada no estômago até o fim, mas é desses livros que a gente costuma dizer que todo mundo deveria ler. ainda estou me recuperando antes de pegar o próximo dela.

“triangulo rosa: um homossexual no campo de concentração nazista”, de jean-luc schwartz e rudolf brazda. esse livro, como o título já diz, é uma biografia do brazda, o último sobrevivente dos campos de concentração nazistas. brazda foi enviado ao campo de concentração de buchenwald por ser gay. uma vez fiz um comentário curtinho sobre esse livro [aqui].

“é isto um homem?”, de primo levi [fun fact: eu tenho um primo chamado levi]. aproveitei a dobradinha temática com o anterior porque li ambos juntos, quase como se fossem um só livro. neste, levi conta os horrores dos campos de concentração nazista onde esteve preso, mas também mostra como mesmo no horror é possível encontrar afetos resistentes e solidariedade.

“o filho de mil homens”, de valter hugo mae. eu particularmente subestimava demais o mãe, mesmo com tantos elogios pipocando por todos os lados. esse foi daqueles livros que li com o coração na mão desde a primeira página até fechar o livro ao encerrar a leitura.

“andróides sonham com ovelhas elétricas?”, do phillip k. dick. esse eu tava reticente demais e enrolei muito tempo pra começar, porque não gosto de blade runner [dsclp. vi o segundo e não gostei tb] e achei que não gostaria do livro. ledo engano. ao contrário do filme, no livro eu torci para os androides desde o começo. os andróides são muito simpáticos

“a autobiografia de alice b. toklas”, de gertrude stein. por fim, outro que reli e acho que é um dos meus livros favoritos da vida, não só pelo livro em si, mas tudo que envolve o livro chegando na minha mão. foi presente de um amigo, no natal de 2012, e em 2013 ele faleceu. então, além do livro que é maravilhoso, tem todo o afeto envolvido. o livro, como se percebe, é uma autobiografia escrita por outra pessoa — a stein, no caso. toklas e stein foram companheiras por mais de quatro décadas e viveram a efervescência do movimento modernista na frança e o livro conta também sobre esse período e a guerra.

menções honrosas, sem comentários:

“duas vidas: gertrude e alice”, de janet malcolm

“fahrenheit 451", de ray bradbury

“o senhor das moscas”, de william golding

“os despossuídos”, de ursula k. le guin

“eu sou a lenda”, de richard matheson

“cama de gato”, de kurt vonnegut