sobre orlando e outras coisas

eu queria falar sobre o que aconteceu hoje não porque minha opinião é importante, mas porque preciso colocar pra fora.

o dia amanheceu com uma notícia muito triste sobre o assassinato em massa numa boate frequentada por LGBTs, em Orlando, nos EUA. vocês já devem estar sabendo. a partir daí começou uma disputa sobre se era homofobia, se era terrorismo. as mortes de mais de 50 pessoas começaram a ser usadas oportunistamente [nem sei se existe a palavra] para atacar muçulmanos, como sempre acontece. como foi apontado por uma pessoa no twitter: 50 mortos é uma comunidade inteira.

entendo por terrorismo todo ato com intencionalidade de criar medo em determinada comunidade. assassinato em massa motivado por ódio é também um ato de terrorismo porque tem uma mensagem política, tem a intencionalidade de gerar pânico. terrorismo não é só quando ‘os bárbaros’ do oriente atacam nós, os civilizados do ocidente e nossas crenças e liberdades. terrorismo é também quando o cristão norueguês mata centenas de jovens, quando o assassino de realengo entra numa escola visando principalmente mulheres, quando um assassino entra numa universidade e visa especificamente mulheres e deixa um manifesto misógino disponível online. é também quando alguém, por motivação religiosa ou não, invade uma balada frequentada por LGBTs pouco tempo depois de ‘ficar enfurecido’ por ver dois homens se beijando.

outra coisa: sempre se fala se foi homofobia, racismo, fundamentalismo religioso, misoginia, transtorno psiquiátrico: quase nunca se fala sobre o fato de que em assassinatos e massa é sempre homem. discute-se muito, corretamente, sobre controle de armas, sobre xenofobia, homofobia, raramente se discute masculinidade e violência masculina.

quando se fala de violência homofóbica ou misoginia, com frequencia vem à tona aquele discurso de ‘masculinidade frágil’, mas masculinidade não é frágil. masculinidade é dominante, fosse frágil já teria sido derrubada e/ou superada há muito tempo. não é que a masculinidade reaja com violência às dissidências e questionamentos porque é frágil, ela não tolera essas coisas porque é fascista.

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