um bar é um universo

senti fome, desci no bar-lanchonete para pedir um lanche. oi, por favor, um x-salada sem milho e ervilha, para levar. obrigado. enquanto espero vou aproveitar e pegar uma cerveja. seis reais a long neck de stela, tá caro. um jovem chega no caixa e pergunta quanto tá o maço de free, tá sete reais e setenta e cinco centavos. penso que ainda bem parei de fumar.

não consegui abrir a garrafa e quase chamei o garçom que passou na minha frente. usei a camisa numa segunda tentativa, que foi só sucesso. geladíssima, deliciosa. a moça passa pra ir no banheiro. o outro moço sai do banheiro e pára no caixa. pede duas cervejas. não, três. três long necks.

os garçons caminham incessantes de um lado para o outro, com bandejas cheias de pedidos. chega outro moço no caixa pra pedir cigarro. talvez só sóbrio pra perceber o quanto as pessoas fumam no bar. eu foco na televisão. era jornal. desisto da televisão e vejo que ambos os bares do outro lado da rua estão com os telões sintonizados no mesmo canal. ondas gigantes nas telas, era surf.

eu fico sentado na mesa, sozinho. olhando tudo ao redor. me sentindo aquele tiozão que vai no bar beber sozinho, solitário. não necessariamente triste. foi só uma cerveja, uma passada no bar. uma sensação de solidão e da idade passando. é bom a idade passar, é sinal de que estamos vivos, diz o ditado clichê. o bar é todo um universo. bom, talvez não um universo. um bar é um bar. a viagem é por conta da bebida. e foi uma boa viagem.

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