Uma (não tão) breve história: The Allman Brothers Band — Parte 1.

Baseado na biografia em inglês do Allmusic.

A história da banda Allman Brothers tem seus triunfos, tragédias, redenções, separações e alcança o ano de 2017 com muita tristeza.

A banda foi formada no final da década de 60 com a seguinte formação:

  • Duane Allman na guitarra;
  • Gregg Allman nos vocais e órgão;
  • Forrest Richard Betts na guitarra;
  • Berry Oakley no baixo;
  • Butch Trucks e Jaimoe nas baterias.

Os irmãos Allman amavam ouvir soul e R&B, mas sem deixar de lado o bom rock & roll, especialmente os sons que estavam surgindo na Inglaterra no meio da década de 60. A primeira banda que eles formaram chamava os Escorts, que lembrava um pouco do começo dos Beatles e Rolling Stones; mais tarde, eles viraram os Allman Joys e mergulharam no estilo britânico de blues, influenciados pelo Cream. Em 1967, formaram uma nova banda que começou a chamar a atenção do público: o Hour Glass. Infelizmente, a gravadora não soube aproveitar o potencial do quinteto, rejeitando o terceiro álbum deles e provocando a separação do grupo.

Curiosidades:

  • Duane Allman após a separação do Hour Glass trabalhou como guitarrista do estúdio Fame no Alabama, participando das gravações de Wilson Pickett, Aretha Franklin, John Hammond e King Curtis, entre outros. Isso ajudou a construir a sua carreira.

Em 1969, surge The Allman Brothers Band, com a ajuda do ex-empresário do Otis Redding, Phil Walden. Mas o primeiro álbum só foi gravado após uma série de shows em torno da Flórida e Georgia. O álbum de estreia intitulado com o nome da banda trouxe músicas perfeitas para o blues-rock e uma bela exibição de guitarras pirotécnicas, lançado entre os álbuns do Cream, Blind Faith, the Jeff Beck Goup e Led Zeppelin. Não vendeu 50 mil cópias logo de cara, mas a banda Allman Brothers impressionou todo mundo que ouviu e quase todos que fizeram resenhas sobre o álbum.

A diferença da cena do blues britânico da época para o Cream é que estes norte-americanos sulistas tinha um entendimento do blues (assim como de elementos do jazz, em sua maioria uma cortesia de Jaimoe) tão natural quanto respirar. E foi este álbum que nos trouxe uma das melhores músicas ao vivo para se ver, o “Whipping Post”.

No segundo álbum, a maestria da banda continuou em evidência: a melodia blues por trás da voz de Gregg Allman; o par de guitarristas bem trabalhadas, a influência mais pesada do rock no baixo e a dupla de baterias sincronizadas. É neste álbum, Idlewild South, que surgiu uma das músicas da banda que mais fazem cover até os dias de hoje: Midnight Rider. É também a música que trouxe a melodia como uma assinatura de Gregg.

40 minutos de puro jam

Nesta época, a banda já estava se tornando uma lenda, pois suas apresentações mostravam todo o potencial de seus músicos, sem ser massante ou exibicionista: a complexidade com coerência que existia entre as notas tocadas entre as duas guitarras e o teclado às vezes resultavam em sessões de 40 minutos para uma só canção, sem se perder nenhuma nota durante a música. Estas sessões resultaram em um álbum ao vivo no Fillmore East, que foi um verdadeiro sucesso entre os amantes de blues.

Eat a Peach

Quatorze dias após a gravação em Fillmore (em outubro de 1971) , Duane Allman morreu em um acidente de moto. A banda, que estava no meio da produção do terceiro álbum, Eat a Peach, finalizou as gravações com Dickey Betts assumindo os slides das guitarras. O álbum se tornou um clássico instantâneo e alcançou o top ten das paradas na época.

No entanto, após a morte de Duane, a banda não quis substituí-lo. Em vez de procurarem um novo guitarrista, eles decidiram adicionar um segundo solista que tocava piano: Chuck Leavell. E quando a banda já tinha começado a trabalhar em novas composições para poderem lançar um novo álbum, outra tragédia acontece: Berry Oakley sofre um acidente de moto em novembro de 1972, poucas quadras de distância do acidente que Duane Allman faleceu no ano anterior.

Brothers and Sisters

Para o lugar de Oakley, a banda chamou Lamar Williams, que assumiu o baixo na turnê e também na finalização do álbum Brothers and Sisters, lançado em 1973.

Este álbum marcou o início de uma nova era para o Allman Brothers Band. Brothers and Sisters veio com um som mais maleável e leve, com menos blues e mais country. Por que esta mudança? Uma parte se deve a saída do produtor Tom Dowd da gravadora (ele tinha produzido os 3 primeiros álbuns da banda). A emergência em escrever e cantar de Dickey Bett, assim como a função de único guitarrista agora da banda, fez com que ele alterasse um pouco o equilíbrio de influências musicais da banda, trazendo muito do seu interesse pelo contry-rock nas composições.

O resultado: a música Ramblin’ Man se tornou febre e o álbum é o mais conhecido da banda, apesar de ter sido menos desafiador que os álbuns anteriores para a banda.

E, a partir de então, vemos uma movimentação sulista mais voltada para o rock and roll, saindo da era rockabilly herdada do meio da década de 50.

Carreiras solo

Em 1974, a banda começa a mostrar que não está tão unida quanto antes. Gregg Allman e Dickey Betts iniciam suas carreiras solo, cada um gravando um álbum separado da banda. Somado a isso, Allman casou (duas vezes) com Cher, tornando-se uma pessoa hollywoodiana, o que o afastou muito de seus colegas de banda. Além disso, Dickey Betts também contribuiu muito para criar uma distância maior entre o grupo e Allman, tornando a turnê cada vez mais cansativa, aliada a necessidade em produzir um novo álbum.

Win, Lose or Draw

Não precisaria nem dizer, mas o álbum que resultou desta parceria abalada entre a banda refletiu todos os problemas que eles estavam passando. Não havia mais intensidade ou nitidez que as músicas dos álbuns passados nos apresentaram. A banda não gravou toda junta e os vocais de Gregg foram adicionados separadamente, por conta de seu envolvimento com Cher e problemas sérios com drogas.

O fim?

A banda se separou em 1976, quando Gregg Allman se viu envolvido em uma investigação federal que estava atrás de um fornecedor, testemunhando contra um amigo e um contratado da banda. Leavell, Johanson, e Williams saíram e formaram a banda Sea Level, enquanto Betts continuou com sua carreira solo. Todos eles fizeram um juramento de nunca trabalhar com Gregg Allman novamente.