O que sobra depois das doze horas.

E como tirar algo que as pessoas ainda não entendem que só há um jeito de tirar.

Isso talvez seja sobre suícidio, não o meu, porque eu não planejo isso.

Mas eu já pensei em morrer. E vocês também.

Voltei a tomar aquele remédio controlado, e, pra quem não sabe, o remédio controlado serve pra isso: te deixar controlado. Sem muita exaltação, demonstração de afeto, sem disposição e é claro, com sono. Em outras palavras você vira um zumbi, isso quando não dorme.

De fato é uma tragédia produzida em laboratórios, mas, quando se tem problemas psicológicos, por mais que seja contra nossa vontade de alimentar a indústria farmaceutica, nós adquirimos nosso produto e consumimos (é importante também que tenhamos uma avaliação médica, hein. Isso é sério de verdade).

Como sou péssima em redação, tenho que deixar claro: não é sobre o remédio, é sobre o que nos faz tomar eles.

Eu tô cansada de ler sobre problemas ou distúrbios ou transtornos e por ai vai na internet(nenhum problema com o que leio, é sempre bom apreciar por outros angulos). Hoje eu vou ser egoísta e falar como é co-mi-go.

Eu tenho ansiedade, depressão e TOC (transtorno obssessivo compulsivo), e a minha vida é como a de qualquer um na maioria dos dias, mas é claro, quando qualquer situação que aconteceu/pode acontecer/acontecerá não faz da minha cabeça moradia, as vezes um chá, uma conversa ou qualquer tipo de distração consegue desviar meus pensamentos, mas no fundo sinto que sempre estou fugindo de algo que me persegue e que pode me alcançar a qualquer momento. Vocês sabem? Como um filme de terror, onde, não importa o quanto você corra na floresta sempre terá um momento onde você vai cair e o vilão vai pegar você. E o que fazer? Porque nesse momento, o vilão não te mata, ele te induz a fazer isso. Tudo de ruim que aconteceu passa pela sua mente, o que acontece (ou a falta de alguma coisa acontecendo)e o que pode acontecer causa um colapso e ai chega a famigerada crise. Desespero passando dos limites, lágrimas que não param de cair, cabeça pesando uma tonelada, atitudes impensadas pois minha mente fica no modo extremismo radical e, ao mesmo tempo que várias coisas pesam e te derrubam na cama, elas se tornam uma dor inexplicável e uma vontade de morrer que nem mesmo eu, que aprecio acordar e ver o sol o mar e as pessoas, só penso em um modo de acabar com isso. Mensagens positivas não funcionam, dormir é impossível, nada tira o demônio que acabou de entrar em você.

E por que é necessário ter alguém por perto? Porque ela pode não fazer nada, não pode diminuir a dor, não pode tirar nada de dentro de você, mas eu preciso. Porque eu sei que a sensação de se sentir só vai te dar liberdade de fazer escolhas desesperadas só pra arrancar essa sensação de que seu corpo está preso entre duas paredes que se fecham mais e mais.

E é isso, existem métodos indicados para tratamento, terapia, yoga, viagens, festas, remédios, ervas medicinais, passeios e blablabla. No entanto, até o momento, é a nossa cabeça e o modo diferenciado que ela funciona e é algo que nós não podemos tirar, exceto se nossa vida for tirada junto.

Não, isso não é um incentivo ao suícidio. Se eu estou escrevendo isso é porque minha parte sã é forte, e eu não nasci com essa força, mas todo dia ela cresce, porque apesar de tudo que eu passo, eu quero ter orgulho da pessoa que eu sou e da pessoa que eu vou virar. E sempre que eu acordar da rebordosa de um remédio, eu vou lembrar que foi a melhor escolha e vou aguenta-la como a mocinha que consegue chutar o saco do vilão e sair correndo.

Claro que ele sempre volta, ele pode voltar hoje ou já estar aqui, mas no momento eu não ligo. Vou comer meu pão e meu café, fumar meu cigarro e fazer minhas coisas. Hoje eu posso conseguir ignora-lo e amanhã não, e ai? quem sabe? Posso tomar um remédio ou fumar um beck, ficar com pessoas que me fazem bem, e seguir. A fraqueza dele é a mesma que a minha: estamos sempre juntos. A dúvida também

Quem vai ser mais forte dessa vez?

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