Uma grande jornada se inicia com o primeiro passo

Eu (o primeiro da esquerda) aos oito anos

Não me lembro exatamente do dia e do mês, mas o ano era 1990.

Aos oito anos de idade conheci o Karatê Kyokushin através de meu pai, que treinava a modalidade. Na verdade, ele havia treinado quando tinha aproximadamente 18 anos, mas não deu prosseguimento devido a sua rotina de trabalho e obrigações com a família. Voltou a treinar quando eu já tinha mais ou menos sete anos de idade, e me levou para conhecer a academia no ano seguinte.

Lá, encontrei um dojô onde o chão era de tacos de madeira, onde haviam aparelhos que eu não conhecia, utilizados para as mais diversas finalidades, como calejamento para as mãos (makiwara) e para os pés e canelas (sunabukuro). Havia também sacos de pancada, que ficavam pendurados em suportes do tipo que eu nunca tinha visto em lugar nenhum, do tipo que permitiam que o saco corresse em linha reta quando lhe eram desferidos golpes.

Não sei dizer o que senti na época, mas fiz minha matrícula. Coloquei meu primeiro dogi e precisei da ajuda de algum senpai, que não me lembro agora, para vesti-lo e amarrar minha faixa corretamente.

Na época, além do próprio shihan Isobe, os instrutores eram o sensei Francisco Filho, o sensei Tsutomu, sensei Aderino e sensei Tadeu. O atual campeão mundial de kata shihan Riyuji Isobe era faixa marrom na época. Tive oportunidade de treinar e aprender com todos eles, assim como presenciar a dedicação com que eles se preparavam para o campeonato mundial, que foi realizado no ano seguinte.

Segui treinando e passando pelas faixas não muito rapidamente. Na verdade, não tinha tanta pressa para fazer os exames de faixa
Na época, haviam alguns garotos da mesma faixa etária que eu treinando lá também, mas nenhum treinava todos os dias.

Meu pai me acompanhava nos treinos, até parar de treinar no ano seguinte. Continuei indo aos treinos sozinho. Pegava metrô da estação Artur Alvim até a São Joaquim (na época ainda era possível alguém dessa idade fazer isso), fazia o treino, e voltava para casa todos os dias.

Quando chegou o ano do mundial (1991), eu tinha certeza que os atletas do Brasil estariam entre os primeiros colocados, pois presenciava parte dos treinamentos deles e achava impossível alguém vencê-los.

Quando retornaram sem o título fiquei chocado, e tive a consciência de quão difícil era conseguir este título. Apesar disso, este fato despertou em mim o desejo de poder chegar lá algum dia.

Continuei treinando até 1993, quando, com aproximadamente dois anos e meio de treinos, parei. Não por ter deixado de gostar das aulas, mas por ainda não estar preparado para treinar todos os dias, o que na época era uma condição para que eu continuasse.

Nos anos seguintes pratiquei diversos esportes, como corrida, futsal, e alguns esportes de luta, mas nunca esqueci dos treinos de Karatê, e ainda tinha esperança de que algum dia pudesse retornar.

Até que em outubro de 1998 meu pai me perguntou se eu gostaria de voltar a treinar. Na época eu estava com 16 anos, e aceitei na hora.

Quando retornei à academia, pouca coisa tinha mudado, apenas algumas pessoas haviam saído, outras tinham mudado de academia, aberto a sua própria, entre outras coisas, mas o local em si, a decoração, os aparelhos, continuavam os mesmos.

Com essa idade eu estava determinado a ser um competidor. Passei a treinar todos os dias após as aulas, e, além das aulas regulares, fazia os treinos especiais para competidores. Esta experiência foi importantíssima para mim, pois as pessoas que eram referência em competições internacionais eram meus parceiros de treinos. Campeões consagrados como os então senseis Glaube Feitosa, Fabiano Silva, Riyuji Isobe, Autílio Rosa, Erick Nagamori, e posteriormente Sérgio Costa e Eduardo Tanakaeram meus parceiros nos treinos diários. Eu não poderia estar em um ambiente melhor para treinar.

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