Psicopatas me encantam

Naquele momento, tive certeza de que talvez ela me amaria um pouco mais, se soubesse da minha condição. Talvez, já que os loucos a encantam. Não sou louco. Ao menos, creio que até este exato momento, não sou louco. Mas talvez possamos relativizar esse termo e, quem sabe, inserir minha condição nesse encanto.

Há tanto que não lhe digo. Nunca lhe falei sobre minha vontade de morrer. Talvez não dissesse com essa palavra, para não assustá-la. Talvez tirasse do bolso alguns eufemismos; dissesse que não era aquilo de fato, foi só um pensamento que passou como mosquito. Mas no fim, era isso.
Ela saberia, pela luz que reflete no fundo dos meus olhos, que era isso. Fingiria comprar essa minha livro de fantasias que escrevi somente para aquele momento, mas ela saberia, pela luz no fundo dos olhos, que era isso. 
Talvez aquilo com certeza lhe despertasse um novo interesse nesse corpo que é só pele e osso. Mas não quero que esses ossos caiam sobre ela. É um peso tanto. Eu mesmo, por vezes, me pego como que no chão do banheiro de Seattle. É frio. Não quero que ela me carregue assim, pelos banheiros de Seattle. Mas talvez também, pela luz que reflete no fundo dos olhos, ela saiba que eu preciso.

Talvez isso soe como se quisesse pedir exclusividade dos seus olhos e dos seus pensamentos. Não é isso. Sei que já demando muita atenção. Mas é que penso que talvez ela me amasse um pouco mais se soubesse da minha condição.

Na verdade, penso que com certeza cometi um erro em me depositar dessa forma sobre ela. E agora queria apenas um par de chinelos para andar pelos banheiros de Seattle. Mas não quero que esses ossos caiam.

Talvez eu queira.

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