Crônicas de Uma Mente Holística | Zero | 0

Excelsior
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Feb 23, 2017 · 4 min read

Parte III

Parte 2 (clique sobre o link para acessar)

Música Indicada para ler este conto: “Clocks” — Coldplay (clique sobre o link para acessar)


Já eram 19h.

O sol se punha ao oeste, e não estava mais sozinho.

Do lado dela, permanecíamos ali. Olhando o mar de nuvens, a confusão dos pássaros, com os relógios do dia tiquetaqueando em minha mente. Áureas perdidas, querendo se encontrar. Unidos como amigos, formando uma perfeita dualidade. A sincronia de nossos pensamentos, me dava uma nova percepção, mais perguntas…. Aquelas que se esvaíram com o tempo. Seria eu uma parte da cura? Ou uma parte da doença?

Cantando, procurando diminuir a ansiedade, parceira maldita de todas as oportunidades, esperava as luzes se apagarem, na esperança de poder ser salvo. Por alguém. Pelos ventos, ou pelas palavras. Naquele momento, não escutava o diabinho, nem o anjinho. O canto, sutil, meigo, abusado, porém inseguro se perdia, enquanto o sol ia lentamente dando espaço para a noite finalmente chegar.

- Eu quero o mundo, mas por onde começar? Pelo que devo lutar!?

Imediatamente, diminui o tom e a olhei fixamente.

- Ei! Você! Para de me olhar estranho! Você ouviu o que eu disse!?

Não me aguentando, mais uma vez quebrava todas as regras do tempo, congelando aquele momento. Prestava bastante atenção na sensação que ela me causava… em cada detalhe… em cada esboço. Seja na fala, ou na forma como ela gesticula as palavras. Apenas uma coisa poderia quebrar o encanto daquelas sensações, enquanto o tigre que havia na minha frente, esperava cautelosamente para ser domado.

- Oh.., Sorry baby! Não é “olhar estranho” que fala. Você prendeu minha atenção com essa pergunta. Estava viajando… exatamente nisso que você falou, se é que você não percebeu.

Era incrível a forma como me reconhecia, nela, com ela.

Ela me deu uma breve resposta fazendo careta e eu continuei.

- O que vamos ser daqui um tempo, ou até amanhã, não sei bem te dizer, sei o que eu quero e por isso sei pelo que devo lutar. Você quer o mundo, mas o que faria exatamente para conquistar “ um mundo”, para transpor as paredes fechadas?

- Não sei, tenho muitas ideias, mas não consigo organiza-las.

- Olha… Você se lembra daquele buquê de flores que lhe dei?

- Sim. Eram lindas.

- Elas representam o que você é agora neste momento.

- Como assim?

- As rosas, como você, algum dia foram plantadas por alguém. Cresceram, desabrocharam e hoje servem para enfeitar campos ou alegrar corações… — como de costume, ela fez do silêncio sua resposta, portanto, prossegui — Desapegue-se das coisas não ditas, atire-se sobre os mares da existência. Nada se compara a experiência de vivenciar o tempo. De não se preocupar com os relógios.

No horizonte, a noite chegava sorrateiramente, o que agitava os ventos e iluminava as estrelas.

— Isso é muito lindo! Mas o que tem haver com a minha pergunta?

- Olha, eu sei que tudo isso parece muito difícil de entender. Eu também já tentei nadar contra a maré. Me colocaram de joelhos. Eu imploro, eu suplico, eu fico cantando se for preciso. Mas quando apagam minha luz, eu volto ao meu lar, e… minha mente volta a evoluir como eu queria.

Lentamente me aproximei e a olhei no fundo de seus olhos. Contando os segundos, fiz um sinal com a mão pedindo que se aproximasse.

- Posso te contar um segredo?

Ela, que já estava a dois centímetros de distância, respondeu:

- Pode!

- Na dúvida, apareça. Seja nomeada. Escolha desabrochar. Nada se compara ao que você é. Eu poderia parar agora, mas vou te levar aonde sempre quis chegar.

Surpreendida com tudo, e sem reação, preferiu ficar parada. Olhando para mim, com a pupila do tamanho de uma maçã, finalizou:

- Vamos descer? Quero te fazer uma pergunta.


O relógio, distante, indicava que era a hora certa. O tão esperado ciclo acabara de começar, e eu estava finalmente pronto para experimentar os aspectos mais sublimes daquele momento.


|Autor | Fábio Mesquita Pinho (part. UmLoboSolitário)

| Serie | Crônicas de Uma Mente Holística

| História | “ Zero — 0”

| Parte: 3|


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