Como eu aprendi inglês sozinho em apenas 4 meses

Roberto Savioli participou da Exosphere Academy. Roberto é brasileiro e até o momento da inscrição ele não sabia falar inglês. Por mais incrível que pareça, 4 meses depois ele estava na sede da Exosphere conversando com 30 pessoas e, o mais incrível, é que elas eram de todos os lugares do mundo.

Nós não acreditamos quando ele nos falou que ele aprendeu inglês de Maio até Setembro só para participar do bootcamp.

Roberto escreveu um artigo sobre como ele conseguiu bater essa meta e nós estamos aqui, compartilhando com vocês. Parabéns, Roberto!

Nós estamos orgulhosos pela sua conquista!

Como eu aprendi inglês sozinho em 4 meses

Tudo começou em 2014. Eu era nutricionista, trabalhava em uma clínica e tinha a mesma rotina todos os dias. Aos poucos, isso foi sugando a minha energia e me desmotivando, como acontece com muitas pessoas.

Estava faltando um desafio.

Certo dia, lembrei que já tinha lido em algum blog sobre um programa educacional. Se tratava sobre empreendedorismo e tecnologias emergentes, conduzido pela Exosphere, onde as pessoas ficavam 8 semanas imersas em um programa para se aprofundar em assuntos relevantes para a sociedade e conquistar novas habilidades que farão a diferença no futuro próximo.

Este programa chamou minha atenção porque sempre tive afinidade com empreendedorismo, além de ouvir excelentes feedbacks de outros participantes, Neste momento senti que este poderia ser o meu ponto de virada.

Então, eu decidi encarar o desafio.

No dia 1° de Maio, eu fiz a inscrição para o programa que iria iniciar no dia 29 de Setembro. Quando você se inscreve para o curso, eles enviam uma lista de livros para ler e outros temas para estudar. Eu teria apenas 5 meses para me preparar. Eu sabia que isso seria difícil, ainda mais fazendo em paralelo com o meu trabalho.

Mas o meu maior desafio seria aprender inglês.

Afinal, é um programa global e a língua mundial é o inglês — pessoas de todo o mundo estariam lá! Minha única experiência com o Inglês foi na escola, além de sempre ver filmes, seriados e video games, isso me familiarizou com a língua. Sempre quando eu arriscava conversar em inglês com alguém, minha performance era horrível, então meu plano foi contratar um professor de inglês e me dedicar o máximo possível no curto período de tempo que eu tinha.

Kent e Roberto (na direita), ambos participantes do programa.

Contei meus planos para meu amigo — que por sinal era professor de inglês em uma escola — e pedi para ele me dar aula. Ele aceitou, mas disse que precisaria de um tempo para preparar o material e isso levaria algum tempo.

Eu disse que não teria problema e resolvi esperar pelas aulas… Quando me dei conta, já estava no final de maio e ainda não tinha a resposta de quando iria começar. Provavelmente meu amigo estava sobrecarregado de trabalho e deixou as aulas para depois. Resolvi não atrapalhar o meu amigo, então, a primeira coisa que veio a minha cabeça foi procurar um novo professor.

Mas então surgiu uma nova ideia: aprender inglês sozinho.

Muitas pessoas poderiam dizer que é impossível ficar fluente em inglês em apenas 4 meses. Mas eu sabia que seria possível. Já tinha lido casos que algumas pessoas conseguiram aprender um novo idioma em tão pouco tempo.

Eu sabia que seria muito difícil e precisaria me esforçar, mas afinal, o que eu queria era desafio, certo?

Então lá estava eu, procurando por métodos de como fazer isso da melhor forma possível. Por sorte, eu já tinha lido algo sobre “aprendizado rápido”, então alguns nomes vieram rapidamente à minha mente. As pessoas que mais me ajudaram foram Josh Kaufman, Tim Ferriss e o dono do blog que li a respeito da Exosphere e que depois vim a conhecer pessoalmente, o Paulo Ribeiro.

Todos eles já tinham publicados livros e elaborado alguns textos sobre como aumentar a sua produtividade e acelerar o processo de aprendizado.

Resumindo o método, você basicamente tem que definir uma meta (a minha era me comunicar em inglês), “desconstruir” o que você está tentando aprender e então escolher o que é mais importante e o que irá trazer mais resultados em menos tempo.

No meu caso, eu separei o aprendizado do Inglês em 4 partes: gramática, pronúncia, compreensão e vocabulário. Como eu tinha pouco tempo, tentei estudar e ficar o mais próximo possível da prática. Dessa forma, a minha meta ficou mais palpável e facilitou muito na hora encontrar fontes de conhecimento para estudar inglês.

Roberto Savioli

Agora vou explicar como me dediquei em cada uma dessas partes.

Na gramática, eu já tinha uma noção de como estruturar as sentenças porque foi algo que já tinha visto na escola. Sendo assim, eu li alguns artigos na internet para refrescar a minha memória, quando surgia alguma dúvida, eu procurava na internet ou perguntava para algum amigo.

Na pronunciação, você tem que ter um pouco mais de paciência. É algo totalmente entediante e repetitivo, basicamente, você tem que escutar e repetir centenas de vezes. Para isso, eu usei o Google Tradutor, ou pedir para alguém falar o termo, gravar e me enviar. Assim, eu verificava qual era a forma correta e pronunciava para mim mesmo.

Como eu já tinha um bom contato com o Inglês, através da escuta e fala, a pronúncia veio naturalmente. Eu não precisei estudar muitas regras. Como já tinha um entendimento básico, meu foco estava em me manter o mais próximo possível da prática.

Para parte da compreensão eu voltei a assistir filmes e seriados. Pela primeira vez eu escutei com o áudio e legendas em inglês. Nas primeiras vezes, eu entendia somente poucas palavras, sem nenhum contexto do que estava acontecendo. Confesso que é muito estressante assistir algo sem entender nada. Nas primeiras vezes, dá muita vontade de desistir. Mas não desisti e depois de poucos episódios eu notei algo interessante acontecendo: meus olhos estavam entendo aquele outra língua!

Eu já estava sendo capaz de entender melhor o contexto e até mesmo algumas palavras mais difíceis. Pouco a pouco eu estava percebendo que algumas palavras são muito mais utilizadas que outras. Foi neste ponto que avancei para a próxima etapa: o vocabulário.

Ao invés de tentar memorizar todo o dicionário, eu fui atrás de um método que com pouco esforço iria trazer um grande resultado. Eu peguei uma lista com as 100 palavras mais utilizadas em inglês e escrevi cada uma em uma carta diferente. Neste sistema (conhecido como flashcards system) você monta um baralho de cartas, cada carta com uma palavra, e atrás de cada uma você coloca o significado e mais alguma informação que você considerar importante sobre aquela palavra.

Então, quando você retira uma carta aleatória e lembra do significado, você coloca ela no final do baralho, onde irá levar mais tempo para pegá-la novamente.

Se você não sabe o significado, você coloca a carta de volta no início baralho, para pegá-la novamente da próxima vez.

Eu encontrei um programa bem fácil para se fazer isso no computador chamado Anki, mas sei que existem vários outros no mercado.

Uma vez que você decora o significado de todas as palavras, e como usar elas na hora certa, o seu inglês vai avançar o suficiente para você ser capaz de falar e ler em inglês sem muitos problemas.

Neste método de quebrar o processo em partes, é importante entender que as partes nunca serão completadas separadamente. No caso de aprender uma nova língua, quando você está estudando uma das partes, está simultaneamente estudando as outras.

Durante meus estudos escutei muitas pessoas falando sobre o medo de falar inglês, e posso dizer com a minha experiência: mesmo se você falar errado, as pessoas vão te entender, muito mais do que você imagina.

Então, pare de procurar a perfeição e coloque a cara no jogo. Fale mesmo se você acha que está errado. Pela situação constrangedora, você vai aprender mais rápido e memorizar.

O método que apresentei pode ser muito efetivo se utilizar corretamente. Mas o que foi mais crucial neste processo de aprendizado de uma nova língua foi minha imersão total neste universo. Como eu coloquei muito esforço para aprender, minha mente estava voltada totalmente para o inglês, com isso, decidi viver em um mundo totalmente em inglês, lendo texto, assistindo filmes e até mesmo pensando em inglês.

Claro que fiz isso tudo na medida do possível, porque eu ainda estava morando no Brasil e me comunicando com as outras pessoas aqui.

Eu confesso que é algo MUITO cansativo e requer MUITA energia e disciplina. No fim do dia, sua mente está exausta e implorando para descansar. E novamente, eu tinha muito tempo para dedicar nos meus estudos,não sei se poderia fazer isso em um período de tempo menor.

Para encorajar quem se identificou com este desafio, eu digo que mesmo sem muito tempo, você ainda consegue chegar lá. Apenas irá durar mais alguns meses (ou você pode se sair melhor que eu)e o cansaço será maior no começo.

Mas depois de um tempo de prática, isso se tornará natural, como qualquer outra habilidade que você tenta aprender.

Este artigo foi originalmente postado no blog da Exosphere. Para mais conteúdos relacionados, curta nossa página no Facebook ou visite www.exosphe.re.