Soco no Estômago

Se você assistiu ao longa metragem Mãe! de Darren Aronofsky muitas cenas, referências e acontecimentos devem estar borbulhando em sua cabeça desde então. E se você não assistiu, ainda é tempo de compreender tamanha repercussão, choque e reflexão causadas ao assistir o filme de terror com contexto mais realista já criado.

O filme, estreado no dia 21 de setembro no Brasil, tem como protagonista a atriz Jennifer Lawrence conhecida pela sequência famosa de Jogos Vorazes; e um elenco formado por Michelle Pfeiffer; Domhnall Gleeson; Ed Harris, entre outros. Em uma trama complexa e agoniante a atriz vive tranquilamente em sua casa com seu Marido interpretado pelo ator Javier Bardem.

O Marido é um poeta que passa por uma crise criativa que o faz aceitar hóspedes em sua casa para ter novas ideias. Porém ao longo do filme esses hóspedes passam a venerar o poeta e a ignorar e maltratar sua mulher. Eles andam por todo a casa mexendo nas coisas e as destruindo, fumam nos cômodos e interferem bruscamente na realidade do casal deixando a mulher furiosa.

O intuito do autor de gerar impacto no público foi alcançado; com a abertura para diversas interpretações, após a estreia, diversas críticas e teorias surgiram dizendo que o filme aborda temas como a xenofobia, violência contra a mulher e questões religiosas. Em uma coletiva de imprensa no Brasil Aronofsky conta para Alexandre Ottoni, de o Jovem Nerd, que a ideia inicial foi a de dar voz a mãe natureza, a nossa mãe, através da personagem principal.

Com um filme todo estruturado utilizando o antigo e novo testamentos da bíblia, o autor diz, em entrevista a Pablo Bazarello, que a bíblia possui histórias maravilhosas e que ele como um contador de histórias olha para elas pois elas são as histórias mais antigas que temos, “nelas existem força, no que pensar e comparar com o hoje no século XXI. ”

A reflexão transmitida pelo autor é de impacto e alerta para o modo como nos comportamos em nossa própria casa, de maneira preventiva pois, os hóspedes retratados na trama somos nós. Aqueles que destroem a casa e impactam bruscamente o planeta terra. O autor quer fazer o público refletir e reavaliar seus atos perante a sua casa, a mãe, a terra. Aliás todos nós nos identificamos com o tema de invasão de nossa casa, principalmente com a cena em que os hóspedes queimam o tapete da casa da personagem de Jennifer Lawrence, ninguém esquece um hóspede que queima seu tapete com um cigarro diz Aronofsky.

Durante toda a trama nenhum personagem é nomeado causando uma compreensão de todo o contexto apenas ao final do filme, essa foi uma jogada genial de Aronofsky que faz com que o público saia da sala de cinema com os pensamentos a mil após compreender a mensagem real do filme e com a sensação de ter levado um soco no estômago. Em entrevista ao site ingresso.com, Aronofsky explica a razão do ponto de exclamação no título do filme: “Existe uma razão. Parte é por causa da intensidade do filme. Mas também é por causa da estrutura do filme. Vem a linha descendo e então, vem o soco no estômago! ”

Acadêmica: Eduarda Loregian| 4º Semestre Jornalismo Sociesc

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